quinta-feira, 1 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Odata prevê 5 GW de data centers no Brasil em cinco anos com Redata e dinheiro de BlackRock e Nvidia

Com o Redata convertido em lei em setembro, a Odata, hoje com 1 GW instalado ou em construção no país, projeta chegar a 5 GW em cinco anos. Sem o regime, diz o CEO, GPUs importadas custariam de 40% a 80% mais.

Corredor de servidores em um data center
Data centers de grande porte dependem da importação de equipamentos, tema central do Redata, regime aprovado em setembro de 2026. Foto: Pexels / Brett Sayles

A Odata, empresa de data centers controlada por fundos que incluem BlackRock, Nvidia e Microsoft, projeta multiplicar sua capacidade no Brasil depois que o Redata virou lei em meados de setembro, segundo reportagem da NeoFeed publicada nesta quinta-feira (1º). O CEO Ricardo Alário afirmou que o país pode passar de 1 GW instalado ou em construção para 5 GW em cinco anos.

A Odata tem 2 GW de capacidade operacional e 25 operações na América Latina, de acordo com a reportagem. A empresa foi comprada em 2023 pela Aligned Data Centers, que por sua vez foi adquirida há menos de um ano pela AI Infrastructure Partnership, consórcio que reúne BlackRock, Nvidia, Microsoft e o fundo MGX, de Abu Dhabi, em uma transação de US$ 40 bilhões.

O que o Redata muda na conta das GPUs

O Redata é o programa federal de incentivos fiscais para a importação de equipamentos usados em data centers. Segundo Alário, sem o regime o custo adicional de GPUs ficaria entre 40% e 80%. A tramitação levou mais de dois anos em Brasília, e a própria reportagem registra que a sanção não encerra a lista de demandas do setor.

O executivo disse que o perfil dos projetos mudou. Os novos empreendimentos voltados a IA nascem, na descrição dele, com tamanho mínimo de US$ 1 bilhão. Alário comparou a dinâmica a um jogo mais próximo do mercado financeiro do que da construção civil, já que o desafio passa a ser financiar e fechar contratos de grande escala.

Quanto já foi investido e quanto falta

De acordo com a NeoFeed, Odata, Scala e Ascenty investiram juntas mais de US$ 5 bilhões no Brasil, e seus clientes aplicaram outros US$ 10 bilhões. A Odata espera crescer entre 200 MW e 300 MW por ano. Alário afirmou que a expectativa de expansão, antes de 20% ao ano, pode ser multiplicada por três com a nova lei.

O prazo para entregar capacidade a um cliente é de 16 a 18 meses, segundo a reportagem. O gargalo está nos equipamentos elétricos: a fila por transformadores é de 24 meses e a de geradores chega a 29 meses. Quem quiser energizar um campus em 2028 precisa fazer o pedido agora.

Energia e licenças como próximo obstáculo

O CEO defendeu que o Brasil tem vantagem em energia renovável e comparou o potencial do país ao da Arábia Saudita. A conexão à rede, porém, depende de órgãos como ONS e Aneel, e o enquadramento fiscal envolve o Ministério da Fazenda e o Confaz, citados na reportagem como parte das etapas ainda abertas.

Na prática, o Redata reduz o custo de entrada, mas a velocidade de entrega vai depender de energia, licenças e fornecedores de equipamento. A meta de 5 GW só sai do papel se esses prazos acompanharem o capital que os fundos já dizem ter disponível.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.