quinta-feira, 8 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

OMC sobe para 3,9% a alta do comércio global em 2026 e aponta a IA como motor

A Organização Mundial do Comércio revisou de 1,9% para 3,9% a estimativa de crescimento do comércio de mercadorias em 2026. Chips e servidores responderam por 47% da expansão no primeiro semestre.

Contêineres empilhados em um porto de carga
A OMC projeta que o comércio mundial de mercadorias cresça 3,9% em 2026, com bens ligados à IA no centro da alta. Foto: Pexels / Bernd von Darl

A Organização Mundial do Comércio (OMC) elevou nesta quinta-feira (8) para 3,9% a projeção de crescimento do comércio global de mercadorias em 2026. A estimativa anterior, de março, era de 1,9%. Segundo o InfoMoney, a entidade atribuiu parte da revisão ao forte investimento em inteligência artificial, que amorteceu os efeitos do conflito no Oriente Médio.

Para 2027, a OMC projeta alta de 4,1%. No primeiro semestre de 2026, o volume de mercadorias negociadas cresceu 3,5%, acima do que a organização esperava.

Chips e servidores respondem por quase metade do avanço

Os bens ligados à IA, como semicondutores e servidores, foram responsáveis por 47% do crescimento do comércio de mercadorias no semestre. O comércio desses produtos subiu 67% na comparação com o ano anterior. A OMC também estima que os gastos globais com infraestrutura de IA aumentem pelo menos 30% em 2026, e as projeções de mercado citadas no relatório indicam alta de 10% a 20% nos investimentos em 2027.

Em outras palavras, uma parte relevante do comércio mundial hoje depende de poucas categorias de produto e de um ciclo de investimento em data centers. A própria OMC reconhece que a resiliência não foi uniforme.

Serviços perdem fôlego e o Oriente Médio encolhe

O comércio de serviços tem projeção de 3,3% em 2026, abaixo dos 4,8% previstos em março. Para 2027, a estimativa é de 6,4%. Transporte e viagens devem crescer pouco, por causa da energia mais cara, de rotas marítimas e aéreas perturbadas e da menor demanda por viagens internacionais. Os serviços digitais seguem mais resilientes.

No primeiro semestre, as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio caíram cerca de 24%, e as de gás natural liquefeito, 47%. Com a entrada de fornecedores alternativos, a queda global ficou em cerca de 6% no petróleo e 1% no GNL. O movimento de contêineres subiu 3,9% no acumulado até julho, com cargas desviadas para portos e corredores alternativos.

Por região, a OMC projeta para 2026 exportações em alta de 9,9% na Ásia, 5,7% na América do Norte e 3,4% na América do Sul. A Europa deve ficar em queda de 0,1%, e o Oriente Médio, em retração de 17,2%. Nas importações, a Ásia deve crescer 9,5% e a África, 8,9%.

O que a revisão pede de exportadores e governos

Para o Brasil, que está na América do Sul, a projeção de 3,4% nas exportações da região fica abaixo da média global de mercadorias. O relatório, nos números divulgados pelo InfoMoney, não detalha o desempenho brasileiro. A dependência do ciclo de IA, concentrado em semicondutores e servidores, também sugere que ganhos de comércio ligados à tecnologia ficam, em grande parte, com os países que fabricam e compram esses equipamentos.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou que é essencial que o sistema de comércio baseado em regras continue a absorver choques, para que oportunidades como a IA estejam abertas a todos. A nota da organização diz que a revisão reflete evidências de que as cadeias de suprimentos globais se adaptaram às perturbações nos mercados de energia e fertilizantes.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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