quinta-feira, 10 de setembro de 2026 · Edição diária

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Matemático acusa a OpenAI de desonestidade no uso de dados de treino

Andreas Thom, da Universidade de Dresden, disse nesta quinta que conversas no ChatGPT podem ter alimentado um avanço anunciado pela casa de Sam Altman. A OpenAI não fechou a porta.

Sam Altman, CEO da OpenAI, fala em evento.
Sam Altman, CEO da OpenAI: o matemático Andreas Thom acusou a empresa de desonestidade sobre o uso de conversas de pesquisadores no treino dos modelos. Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O matemático Andreas Thom acusou nesta quinta-feira (10) a OpenAI, de Sam Altman, de desonestidade sobre a origem dos dados que alimentam os modelos da casa. Em série de posts no Mastodon, repercutida pelo The Verge às 11h UTC, Thom disse que interações suas e de colegas com o ChatGPT, antes do anúncio triunfal da empresa, podem ter contribuído para um dos dez avanços em matemática divulgados no mês passado. A OpenAI, segundo ele, não provou o contrário.

Um dos resultados envolve grupos não-sóficos, área de Thom. A empresa reconheceu que o trabalho se apoiou em pesquisa anterior dele e de Gábor Kun, depois de crítica no meio acadêmico por ter omitido a contribuição. Thom escreveu que ficou impressionado com o "domínio detalhado" das técnicas do grupo, rotas que na época não eram as mais óbvias nem as mais promissoras. Perguntou por e-mail aos pesquisadores Sébastien Bubeck e Mark Sellke se aquelas conversas entraram no treino ou no raciocínio do modelo.

A resposta, escreveu, só cobriu se o chat podia ser acessado direto. Não disse se o conteúdo foi parar no mar de dados que a OpenAI usa para melhorar os sistemas. "Nenhuma qualificação, explicação ou evidência foi dada. Interpreto isso, no mínimo, como desonestidade." Só a empresa, argumentou, tem os conjuntos necessários para provar o que afirma. Se vai negar o uso, precisa abrir os dados e os termos.

O episódio ecoa a briga da semana com Tristan Buckmaster, da NYU, que perguntou se o Codex se beneficiou do trabalho dele no problema de Navier-Stokes. No blog do prêmio do milênio, a OpenAI negou acesso a dado específico de usuário, mas não fechou a porta a influência indireta: "embora improvável, não podemos descartar que dados desidentificados derivados do uso de nossos produtos tenham ajudado a melhorar os modelos". Thom rebateu: desidentificar tira o nome, não tira a ideia matemática.

O recado final é ético. Seria indefensável, escreveu, se pesquisa ainda não publicada, entregue via chatbot, melhorasse o modelo que depois corre com o próprio autor até a publicação, sem consentimento, crédito nem transparência. A OpenAI não respondeu ao The Verge até a matéria sair. No campo, o gosto azedou: se até o rumor de um avanço liga o alarme numa big tech faminta de glória, a matemática tende a se fechar.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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