John Ternus, o novo CEO da Apple, afirmou que o melhor dispositivo de inteligência artificial do mercado já existe e está no bolso: o iPhone. A fala abriu o evento Surprise and Shine, em Cupertino, e segue no centro da cobertura nesta quinta-feira (10), quando a BBC descreveu o primeiro grande produto da era Ternus, o iPhone Duo dobrável de US$ 1.999. Ternus assumiu o lugar de Tim Cook neste mês. Em vez de inventar um gadget novo para a corrida da IA, a casa quer transformar o celular no ponto único de contato com o modelo.
No palco, Ternus descreveu o aparelho ideal como um "hub pessoal inteligente": sempre junto, com processador capaz de rodar modelo no próprio aparelho, conexão com a nuvem, tela grande, câmera, microfone e bateria longa. Sem curva de aprendizado. Integrado aos outros dispositivos. "Em outras palavras, você chegaria a algo notavelmente familiar, porque não há produto no mundo melhor desenhado para ser o seu hub pessoal inteligente do que o iPhone."
O recado mais duro foi para os rivais. Ternus admitiu que as novas funções de IA usam "os detalhes mais privados da sua vida diária". Insistiu que o processamento roda no aparelho sempre que dá, e que, quando precisa de servidor, nem a Apple acessa o que é do usuário. "Outros veem esses dados como algo a coletar e guardar. Confiança só vai até certo ponto quando o dado deixa de ser seu."
A Siri, agora Siri AI, passa a vasculhar mensagem e e-mail no iPhone 18, responder e agir em nome do dono. No Apple Watch, anota conversa e transcreve se o usuário ligar o recurso. O Duo, oito anos de desenvolvimento, abre como um iPad pequeno e fecha no tamanho de um passaporte. Ternus disse que os dobráveis da concorrência parecem "dois celulares grudados de qualquer jeito". Francisco Jeronimo, da IDC, lembrou o outro lado: na China, a Huawei tem quase 80% desse mercado. Ben Wood, da CCS Insight, disse que a promoção de Ternus não foi coincidência: "Nada acontece por acaso na Apple."
Dipanjan Chatterjee, da Forrester, vê o risco de o dobrável virar enfeite premium, como o Vision Pro de US$ 3.699. Carolina Milanesi, da Creative Strategies, notou que Ternus no palco parecia "quase um produto em si". A aposta de IA, no fim, é a mesma de sempre: o iPhone no centro, o dado no aparelho, o rival como quem coleta.



