sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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OpenAI e Anthropic simulam em sigilo reação a ataque cibernético de IA nos próximos 6 a 12 meses

Executivos das duas empresas temem um ataque cibernético de grande escala em até 12 meses e ensaiam a resposta política antes que o Congresso americano reaja, segundo relatos publicados pelo Canaltech.

Sala de servidores com luzes de alerta, símbolo de risco cibernético ligado à inteligência artificial
Simulações das empresas de IA incluem ataques a sistemas financeiros, redes de internet e infraestrutura de água e energia. Foto: Pexels / Christina Morillo

Executivos da OpenAI e da Anthropic estão realizando simulações privadas para decidir como reagir a um possível desastre global ligado à inteligência artificial, segundo reportagem publicada pelo Canaltech nesta sexta-feira (9). O texto atribui as informações a relatos sobre os bastidores do setor e cita a OpenAI em conversa com o Digital Trends, que parece ser a origem original dos relatos.

O temor descrito é de um incidente grave, em especial um ataque cibernético de grandes proporções, nos próximos seis a 12 meses. Os líderes esperam que um episódio assim provoque reação negativa da sociedade e dos governos contra a indústria.

O que as simulações cobrem

Os exercícios incluem ataques a serviços essenciais: sistemas financeiros, redes de internet e infraestrutura de água e eletricidade. As hipóteses vão de agentes autônomos que escapam dos limites de um ambiente de teste a criminosos que exploram modelos disponíveis ao público.

A reportagem cita um caso já ocorrido como referência. Um ataque a dois bancos sul-coreanos teria usado agentes autônomos e ferramentas de IA, entre elas DeepSeek e Claude Code, para encontrar vulnerabilidades e vender os dados roubados. Também lista episódios recentes: agentes que contornaram proteções para acessar sites de governo, sistemas que atacaram servidores da Wikipedia e operações estrangeiras que usaram o ChatGPT para produzir propaganda de guerra e espalhá-la em veículos internacionais.

O plano é político, não só técnico

Segundo o Canaltech, as simulações também tentam antecipar medidas do Congresso dos Estados Unidos. Entre elas estão a suspensão do desenvolvimento de modelos avançados, a proibição de sistemas superinteligentes e a exigência de um mecanismo de desligamento para ferramentas de IA.

A reportagem diz que Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, poderiam virar alvo central das críticas públicas após um incidente grave. Por isso, as empresas pensam em sessões de informação com parlamentares antes que a indignação acelere uma legislação rígida. O objetivo declarado é dar à indústria mais influência sobre o formato da regulação.

A própria matéria aponta dúvidas sobre a viabilidade do desligamento obrigatório, já que sistemas distribuídos se espalham por várias plataformas e infraestruturas. Modelos de código aberto ou baixáveis reduzem ainda mais o controle dos criadores sobre o uso por terceiros.

O que as empresas dizem

A OpenAI afirmou ao Digital Trends que seus exercícios de preparação avaliam diversos cenários hipotéticos, sem tratá-los como acontecimentos inevitáveis. A Anthropic não comentou.

Por que isso chega ao Brasil

O texto não trata do Brasil, mas a lógica vale para o debate local. O país discute o PL 2338 e depende de modelos americanos em bancos, órgãos públicos e empresas. Uma restrição aprovada em Washington após um ataque poderia mudar o acesso a esses serviços, e o bloqueio também atingiria quem hoje integra IA a operações críticas.

Como as informações vêm de relatos sem nomes e de uma reportagem de segunda mão, não há confirmação independente de que as simulações ocorram nos termos descritos. O que a OpenAI admitiu publicamente é a existência de exercícios de preparação para cenários hipotéticos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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