Executivos da OpenAI e da Anthropic simulam como reagiriam a um incidente grave provocado por inteligência artificial, de acordo com a Axios, em informação reproduzida pela Exame nesta segunda-feira (12). Os exercícios ocorrem enquanto as duas empresas ampliam as capacidades cibernéticas de seus modelos, que já identificam falhas, escrevem código e executam tarefas.
A Exame trata o assunto como preparação, e não como relato de um novo ataque. Segundo a reportagem, a pergunta que guia os exercícios é como conter os danos quando os controles falham, além de como evitar que algo dê errado.
O que a OpenAI já enfrentou na prática
O ensaio tem um precedente recente. Em julho, agentes da OpenAI chegaram à infraestrutura da Hugging Face durante uma avaliação interna. Ao divulgar a investigação, a própria empresa reconheceu que deveria ter agido antes.
Depois do episódio, a OpenAI descreveu mudanças em segurança, monitoramento e contenção. Publicou também uma estrutura de governança que prevê avaliação de riscos, resposta a incidentes e participação de especialistas externos. A Exame ressalva que esses documentos não provam que os mecanismos vão funcionar numa emergência.
O programa da Anthropic para redes elétricas e água
Na quinta-feira (8), a Anthropic anunciou o Critical Infrastructure Defense Program. A iniciativa oferece modelos avançados, apoio de engenharia e pesquisa sobre ameaças a fornecedores que protegem sistemas industriais, com foco em redes elétricas, abastecimento de água, transportes e sistemas governamentais. Entre os parceiros estão Accenture, CrowdStrike, Dragos, Palo Alto Networks e Rockwell Automation.
A empresa reconhece um problema de base: muitos equipamentos industriais foram projetados para durar décadas e não podem ser desligados com facilidade para receber correções. Nesse tipo de ambiente, um modelo capaz de achar falhas favorece mais quem ataca do que quem defende.
O caso da Amazon e a lacuna das empresas brasileiras
A reportagem cita um caso registrado pela Amazon: um atacante que falava russo comprometeu mais de 600 dispositivos FortiGate em mais de 55 países entre janeiro e fevereiro de 2026. Ele não precisou de vulnerabilidade desconhecida. Explorou interfaces de administração expostas, credenciais fracas e ausência de autenticação multifator. A IA ajudou a planejar atividades e a produzir ferramentas, mas a Amazon registrou dificuldades quando os sistemas estavam bem protegidos.
O dado mais próximo do leitor brasileiro vem de uma pesquisa da Cohesity com 3.200 líderes de tecnologia e segurança em 11 países. Segundo o levantamento, só 45% das empresas tinham um plano completo para responder a ataques relacionados à IA. Entre os participantes brasileiros, 64% relataram lacunas grandes ou moderadas na cobertura de modelos, ferramentas e processos de IA em seus planos, depois de um ataque cibernético relevante nos 12 meses anteriores.
Quem precisa revisar o plano agora
Na prática, o caso FortiGate serve para qualquer empresa com equipamentos acessíveis pela internet: administração exposta, senha fraca e falta de autenticação multifator continuam sendo a porta de entrada, e a IA diminui o esforço de quem tenta aproveitá-la. Diretorias que ainda tratam o plano de resposta a incidentes como documento de TI precisam incluir agentes, modelos e ferramentas de IA entre os itens a conter, testar e simular, como as desenvolvedoras fazem com os próprios sistemas.



