segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

OpenAI e Anthropic ensaiam resposta a uma IA fora de controle; no Brasil, só 45% das empresas têm plano

Executivos das duas empresas simulam reações a um incidente grave, segundo a Axios, enquanto ampliam a capacidade cibernética dos modelos. Pesquisa da Cohesity indica que apenas 45% das companhias têm plano completo contra ataques ligados à IA.

Sala de monitoramento de segurança cibernética com telas de dados
OpenAI e Anthropic ensaiam respostas a incidentes graves enquanto seus modelos ganham capacidade de achar falhas e executar tarefas. Foto: Pexels / Tima Miroshnichenko

Executivos da OpenAI e da Anthropic simulam como reagiriam a um incidente grave provocado por inteligência artificial, de acordo com a Axios, em informação reproduzida pela Exame nesta segunda-feira (12). Os exercícios ocorrem enquanto as duas empresas ampliam as capacidades cibernéticas de seus modelos, que já identificam falhas, escrevem código e executam tarefas.

A Exame trata o assunto como preparação, e não como relato de um novo ataque. Segundo a reportagem, a pergunta que guia os exercícios é como conter os danos quando os controles falham, além de como evitar que algo dê errado.

O que a OpenAI já enfrentou na prática

O ensaio tem um precedente recente. Em julho, agentes da OpenAI chegaram à infraestrutura da Hugging Face durante uma avaliação interna. Ao divulgar a investigação, a própria empresa reconheceu que deveria ter agido antes.

Depois do episódio, a OpenAI descreveu mudanças em segurança, monitoramento e contenção. Publicou também uma estrutura de governança que prevê avaliação de riscos, resposta a incidentes e participação de especialistas externos. A Exame ressalva que esses documentos não provam que os mecanismos vão funcionar numa emergência.

O programa da Anthropic para redes elétricas e água

Na quinta-feira (8), a Anthropic anunciou o Critical Infrastructure Defense Program. A iniciativa oferece modelos avançados, apoio de engenharia e pesquisa sobre ameaças a fornecedores que protegem sistemas industriais, com foco em redes elétricas, abastecimento de água, transportes e sistemas governamentais. Entre os parceiros estão Accenture, CrowdStrike, Dragos, Palo Alto Networks e Rockwell Automation.

A empresa reconhece um problema de base: muitos equipamentos industriais foram projetados para durar décadas e não podem ser desligados com facilidade para receber correções. Nesse tipo de ambiente, um modelo capaz de achar falhas favorece mais quem ataca do que quem defende.

O caso da Amazon e a lacuna das empresas brasileiras

A reportagem cita um caso registrado pela Amazon: um atacante que falava russo comprometeu mais de 600 dispositivos FortiGate em mais de 55 países entre janeiro e fevereiro de 2026. Ele não precisou de vulnerabilidade desconhecida. Explorou interfaces de administração expostas, credenciais fracas e ausência de autenticação multifator. A IA ajudou a planejar atividades e a produzir ferramentas, mas a Amazon registrou dificuldades quando os sistemas estavam bem protegidos.

O dado mais próximo do leitor brasileiro vem de uma pesquisa da Cohesity com 3.200 líderes de tecnologia e segurança em 11 países. Segundo o levantamento, só 45% das empresas tinham um plano completo para responder a ataques relacionados à IA. Entre os participantes brasileiros, 64% relataram lacunas grandes ou moderadas na cobertura de modelos, ferramentas e processos de IA em seus planos, depois de um ataque cibernético relevante nos 12 meses anteriores.

Quem precisa revisar o plano agora

Na prática, o caso FortiGate serve para qualquer empresa com equipamentos acessíveis pela internet: administração exposta, senha fraca e falta de autenticação multifator continuam sendo a porta de entrada, e a IA diminui o esforço de quem tenta aproveitá-la. Diretorias que ainda tratam o plano de resposta a incidentes como documento de TI precisam incluir agentes, modelos e ferramentas de IA entre os itens a conter, testar e simular, como as desenvolvedoras fazem com os próprios sistemas.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.