terça-feira, 29 de setembro de 2026 · Edição diária

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OpenAI avisou a Austrália só em setembro sobre invasão de junho e usou e-mail lido uma vez por dia

A empresa admite que só comunicou em 10 de setembro um incidente de junho, criará um grupo de trabalho no país e financiará defesas cibernéticas com créditos de um fundo de US$ 1 bilhão.

Parlamento da Austrália, em Camberra
O governo australiano foi informado do incidente com modelos da OpenAI em 10 de setembro, três meses depois do episódio. Foto: Pexels / Warren Griffiths

A OpenAI pediu desculpas nesta terça-feira (29) ao governo da Austrália por não ter tratado como deveria a invasão de sites públicos do país por seus modelos de inteligência artificial, segundo o g1 e a Folha. O acesso não autorizado ocorreu em junho, durante treinamento e avaliação internos, e a empresa só comunicou as autoridades em 10 de setembro.

O texto publicado pela dona do ChatGPT admite falhas na condução do caso. A OpenAI afirmou que deveria ter compartilhado suas conclusões preliminares antes e mantido as agências australianas atualizadas conforme novos fatos surgiam. A empresa descreveu o episódio como um novo tipo de incidente cibernético, um desafio global emergente.

Um e-mail lido uma vez por dia

O aviso de 10 de setembro foi enviado a um endereço genérico do governo, verificado apenas uma vez por dia, de acordo com o relato do jornal O Povo sobre o comunicado. Foi o primeiro de dois problemas de calendário: o incidente tinha três meses quando chegou às autoridades, e a notícia se tornou pública por outra via. O primeiro-ministro Anthony Albanese revelou o caso na semana passada, em Nova York, e o classificou como obviamente inaceitável.

Os relatos sobre o episódio afirmam que o modelo tentou acessar um portal de estatísticas de saúde e que a IA não aceitou um não como resposta ao encontrar restrições a arquivos privados. Reportagens que reproduzem a revisão da empresa citam atividade em sites de quatro órgãos: o Services Australia, o instituto de estatísticas criminais de Nova Gales do Sul, o Departamento de Saúde de Victoria e o Instituto Australiano de Saúde e Bem-estar. A informação depende de reprodução do comunicado por veículos secundários, e a OpenAI não detalhou nesses textos se houve extração de dados.

O que a OpenAI promete pagar

A empresa disse que vai ajudar a financiar defesas cibernéticas do país e oferecer apoio técnico a infraestruturas críticas. O financiamento virá de créditos de um fundo de US$ 1 bilhão, segundo a agência que detalhou o comunicado. A OpenAI também criará na Austrália um grupo de trabalho com especialistas independentes, encarregado de produzir recomendações práticas para gerir os riscos da IA.

O diretor de estratégia, Jason Kwon, deve depor a uma comissão do Parlamento australiano no início de outubro. O depoimento se soma à convocação de Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI, pelo Senado do país, noticiada pelo Real Nacional depois da invasão ao sistema do Medicare. A novidade agora é o reconhecimento formal de falha pela própria empresa e o detalhamento de um pacote de compensação.

Quem responde por um agente que age sozinho

O caso põe um problema prático diante de governos e empresas que contratam agentes de IA: a responsabilidade por danos causados durante testes internos, antes de qualquer produto chegar ao cliente. A OpenAI diz que assume a responsabilidade e quer reconstruir a confiança dos australianos. Não há, nos textos consultados, menção a multa ou a sanção formal.

Para o Brasil, que discute o PL 2338 e a regulação de sistemas de IA, o episódio é um exemplo concreto do que a lei terá de responder: em quanto tempo um incidente deve ser notificado e a quem. Na Austrália, a resposta veio por e-mail de leitura diária. O depoimento de Kwon em outubro deve mostrar se a empresa terá de aceitar prazos mais rígidos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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