A PadTec, fabricante brasileira de equipamentos de redes ópticas, está abrindo uma fábrica em Manaus e afirma que a falta de componentes no mundo é grave e comparável à vivida na pandemia de covid. A avaliação é de Carlos Raimar, CEO da empresa, em entrevista à CDTV, do portal Convergência Digital, publicada nesta quarta-feira (14).
Segundo Raimar, duas demandas puxam o mercado acima da oferta: a expansão dos data centers voltados à inteligência artificial e o uso de fibra e lasers em drones, em especial na guerra da Ucrânia. O resultado, de acordo com o executivo, são prazos de espera de "dezenas e dezenas de semanas" para parte dos componentes.
Fornecedores com um a dois anos de antecedência
A consequência prática aparece no planejamento da própria PadTec. Raimar afirmou que a empresa precisa programar compras com fornecedores com um a dois anos à frente. Ele não vê o fim da crise "tão cedo" e aponta como saída o desenvolvimento de fornecedores e de tecnologia locais.
O título da matéria original fala em situação pior que a da pandemia, mas o texto descreve a crise como igual à de 2020. Esta reportagem segue o corpo do texto, que registra a comparação como equivalência.
Por que Manaus, e o que não vai para lá
Os motivos citados para a nova unidade são custo e segurança para manter benefícios fiscais, que na Zona Franca vão até 2070. A Lei de Informática, outro incentivo do qual a indústria de tecnologia depende, vale até 2029, e seu futuro é incerto, segundo a entrevista. A PadTec já tem fábrica em Campinas e uma sala limpa dentro do CPQD, também na cidade paulista.
A fábrica amazonense vai produzir toda a linha de valor agregado, exceto amplificadores. Esses equipamentos são sensíveis e exigem mão de obra altamente especializada, o que os mantém fora da Zona Franca. A empresa também cita acordos de Manaus com zonas francas da América Latina como um caminho para ampliar o mercado.
Mercado americano fechado e aposta no Redata
Raimar descreveu 2025 como um ano de expansão na América Latina e de aperto no Brasil, com projetos engavetados e redes operando no limite. Ele espera que os investimentos voltem no ano seguinte. Nos Estados Unidos, a situação é outra: segundo o executivo, o mercado ficou impossível com o tarifaço, ainda que a empresa tenha investido em homologação e testes para atender clientes locais.
O CEO afirmou acreditar que o Redata, regime de incentivo a data centers em discussão no Senado, beneficiará a empresa, porque as estruturas devem vir para o Brasil com alguma proteção à indústria nacional. A PadTec também quer deixar de ser vista só como empresa de fotônica e se tornar fornecedora de infraestrutura digital crítica, com planos em cabos submarinos e contratos maiores em negociação.
O que muda para quem compra rede
Para operadoras e donos de data centers no Brasil, o aviso de Raimar indica que encomendas de equipamentos de rede óptica exigirão planejamento longo e que a produção local em Manaus tende a pesar na escolha de fornecedor. Quanto custa a produção da fábrica nova e quando ela entra em operação são informações que a entrevista não detalha.



