sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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Payfy, apoiada pelo Banco do Brasil, põe 8 agentes de IA para aprovar despesas e mirar R$ 1 bi

A fintech catarinense foi de 500 clientes em 2023 para 1.700 em 2026 (alta de 240%) e prevê movimentar R$ 1 bilhão no ano com agentes que leem comprovantes, checam regras e recomendam aprovações.

Profissional confere comprovantes de despesas em um computador
A Payfy automatiza a leitura de comprovantes e a conferência de gastos corporativos com agentes de IA. Foto: Pexels / https://kaboompics.com

A Payfy, fintech de gestão de despesas corporativas apoiada pelo Banco do Brasil, projeta movimentar R$ 1 bilhão em sua plataforma até o fim de 2026 e vai lançar até dezembro oito agentes de inteligência artificial para tirar da mão de analistas a conferência de gastos, segundo reportagem da Exame publicada nesta sexta-feira (9). O valor é o volume que passa pela plataforma, não receita da empresa.

A base de clientes saiu de 500 empresas em 2023 para 1.700 em 2026, um avanço de 240%. Hoje o sistema processa 250 mil relatórios de despesa por mês. A plataforma reúne cartões, Pix, reembolsos, prestação de contas e integração com sistemas de gestão.

Três modos de IA, um já em operação

O produto de IA se chama Payfy Intelligence e se divide em três modos. O Scan já funciona: o funcionário fotografa o comprovante e o sistema extrai os dados para preencher o lançamento. O Audit, previsto para entrar no ar, compara cada gasto com a política da empresa, aponta possíveis irregularidades e sugere regras a partir dos padrões de consumo.

O terceiro modo, o Review, recomenda aprovar, rejeitar ou escalar uma despesa, levando em conta orçamento e histórico. A empresa diz que os oito agentes estarão disponíveis para todos os usuários até o fim do ano.

André Apollaro, cofundador e presidente executivo da Payfy, afirmou à Exame que empresas ainda perdem dias para fechar o mês porque o controle de despesas depende de digitação manual e conferência retroativa. Na avaliação dele, o gestor deixa de revisar lançamento por lançamento e passa a atuar apenas nas exceções.

O que a Payfy diz ter ganhado

Os números de desempenho vêm da própria empresa, e a reportagem não informa o tamanho da amostra. Segundo a Payfy, 87% dos registros chegam ao gestor sem correção humana e 93% dos comprovantes são conciliados em até dois dias. O fechamento mensal fica cinco vezes mais rápido, e equipes de contabilidade economizariam até dois dias de trabalho por semana.

No atendimento, a Payfy mantém pessoas na linha de frente, com tempo médio de resposta de 12 minutos. Entre julho e agosto, o volume de chamados caiu 29,6% e a satisfação subiu de 97,1% para 98,2%. Em agosto, quatro em cada dez solicitações foram resolvidas no primeiro contato, e 3% dos casos foram reabertos. Carlos Apollaro, diretor de operações, disse que a IA atua antes de o problema aparecer e não no lugar do atendente.

Quem sente a mudança no caixa

Para o financeiro de uma empresa média, o efeito prático está no fechamento do mês e na quantidade de gente dedicada a conferir nota. Se os índices informados se sustentarem fora da base da própria Payfy, a rotina de auditar despesa uma a uma tende a dar lugar à revisão de exceções, o que reduz horas de contabilidade e antecipa o fechamento.

Resta a checagem independente desses indicadores, já que a amostra não foi divulgada e dois dos três modos de IA ainda não estão em operação plena. A meta de R$ 1 bilhão em volume também depende de a base de 1.700 clientes manter o ritmo de uso até dezembro.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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