O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (28) a Pesquisa Firmus do terceiro trimestre de 2026, que mostra que 96% das empresas não financeiras entrevistadas já usam inteligência artificial em algum grau nos processos internos. A pesquisa ouviu 379 empresas entre 10 e 28 de agosto e também apurou o estágio de maturidade dessa adoção, item que revela uma distância entre o uso declarado e a aplicação efetiva da tecnologia.
Entre os 3,7% das empresas que declararam não usar IA, a maior parte, 2,6 pontos percentuais, disse pretender introduzir a tecnologia no curto prazo. Apenas 1,1% afirmou não ter uso nem planos de adoção, fatia residual diante da adesão majoritária apurada pelo Banco Central.
Da experimentação ao uso disseminado
O BC também perguntou em que estágio está o uso da IA dentro de cada empresa. A resposta mais comum, dada por 36,7% dos entrevistados, foi uso experimental ou informal, ou seja, testes pontuais sem processo definido. Outros 34% disseram ter uso estruturado, mas restrito a atividades de apoio, como as áreas administrativa e financeira.
A adoção mais madura ainda é minoria. Apenas 20,1% das empresas relataram uso estruturado em atividades-fim, ligadas diretamente ao negócio principal, e só 5,5% descreveram um uso disseminado, recorrente e integrado à maior parte dos processos. Juntas, essas duas faixas mais avançadas somam pouco mais de um quarto do total de empresas que usam IA.
Texto e dado lideram, robótica ainda é rara
Entre as empresas que usam IA, a aplicação mais citada foi geração e análise de textos, apontada por 84,4% delas, segundo a Pesquisa Firmus. Análise, classificação e previsão de dados aparece em seguida, citada por mais de 80% dos respondentes. Geração de imagens e vídeos foi mencionada por 50,4% e geração ou revisão de código, por 49,3%.
Usos menos difundidos incluem transcrição e geração de voz, citados por 31,9% das empresas, e reconhecimento e análise de imagens, por 31,7%. Robótica e equipamentos autônomos ficaram na última posição, com 16,1%, o que mostra que a adoção de IA nas empresas não financeiras brasileiras ainda se concentra em tarefas de escritório e não na automação física da produção.
O efeito que a maioria das empresas ainda não sabe medir
Questionadas sobre o impacto da IA no volume de produção, 63,9% das empresas disseram não ter estimativa. Entre as que arriscaram um número, 14% apontaram aumento de 1% a 5% na produção e 7,7% relataram ganho superior a 5%. No custo de produção, o padrão se repete: 63,9% também não souberam estimar o efeito, e a maior parte das respostas restantes ficou entre variações pequenas, de até 5%.
O retrato da Pesquisa Firmus é de uma adoção ampla, mas ainda inicial, da inteligência artificial nas empresas brasileiras. A maioria diz usar a tecnologia, mas a minoria consegue hoje medir o retorno em produção ou custo, o que deixa em aberto se o investimento em IA já se traduz em ganho de eficiência mensurável para essas companhias.



