segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Pesquisa do BC mostra que 96% das empresas usam IA, mas só 5,5% têm uso disseminado

Pesquisa do Banco Central com 379 empresas não financeiras, feita entre 10 e 28 de agosto, mostra que 96% já usam inteligência artificial em algum grau, mas apenas 5,5% têm uso disseminado nos processos internos.

Profissional trabalha em computador em escritório corporativo
A Pesquisa Firmus do Banco Central ouviu 379 empresas não financeiras entre 10 e 28 de agosto de 2026 sobre o uso de inteligência artificial. Foto: Pexels / cottonbro studio

O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (28) a Pesquisa Firmus do terceiro trimestre de 2026, que mostra que 96% das empresas não financeiras entrevistadas já usam inteligência artificial em algum grau nos processos internos. A pesquisa ouviu 379 empresas entre 10 e 28 de agosto e também apurou o estágio de maturidade dessa adoção, item que revela uma distância entre o uso declarado e a aplicação efetiva da tecnologia.

Entre os 3,7% das empresas que declararam não usar IA, a maior parte, 2,6 pontos percentuais, disse pretender introduzir a tecnologia no curto prazo. Apenas 1,1% afirmou não ter uso nem planos de adoção, fatia residual diante da adesão majoritária apurada pelo Banco Central.

Da experimentação ao uso disseminado

O BC também perguntou em que estágio está o uso da IA dentro de cada empresa. A resposta mais comum, dada por 36,7% dos entrevistados, foi uso experimental ou informal, ou seja, testes pontuais sem processo definido. Outros 34% disseram ter uso estruturado, mas restrito a atividades de apoio, como as áreas administrativa e financeira.

A adoção mais madura ainda é minoria. Apenas 20,1% das empresas relataram uso estruturado em atividades-fim, ligadas diretamente ao negócio principal, e só 5,5% descreveram um uso disseminado, recorrente e integrado à maior parte dos processos. Juntas, essas duas faixas mais avançadas somam pouco mais de um quarto do total de empresas que usam IA.

Texto e dado lideram, robótica ainda é rara

Entre as empresas que usam IA, a aplicação mais citada foi geração e análise de textos, apontada por 84,4% delas, segundo a Pesquisa Firmus. Análise, classificação e previsão de dados aparece em seguida, citada por mais de 80% dos respondentes. Geração de imagens e vídeos foi mencionada por 50,4% e geração ou revisão de código, por 49,3%.

Usos menos difundidos incluem transcrição e geração de voz, citados por 31,9% das empresas, e reconhecimento e análise de imagens, por 31,7%. Robótica e equipamentos autônomos ficaram na última posição, com 16,1%, o que mostra que a adoção de IA nas empresas não financeiras brasileiras ainda se concentra em tarefas de escritório e não na automação física da produção.

O efeito que a maioria das empresas ainda não sabe medir

Questionadas sobre o impacto da IA no volume de produção, 63,9% das empresas disseram não ter estimativa. Entre as que arriscaram um número, 14% apontaram aumento de 1% a 5% na produção e 7,7% relataram ganho superior a 5%. No custo de produção, o padrão se repete: 63,9% também não souberam estimar o efeito, e a maior parte das respostas restantes ficou entre variações pequenas, de até 5%.

O retrato da Pesquisa Firmus é de uma adoção ampla, mas ainda inicial, da inteligência artificial nas empresas brasileiras. A maioria diz usar a tecnologia, mas a minoria consegue hoje medir o retorno em produção ou custo, o que deixa em aberto se o investimento em IA já se traduz em ganho de eficiência mensurável para essas companhias.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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