quarta-feira, 30 de setembro de 2026 · Edição diária

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Indústria da China volta a crescer com PMI de 50,1 e boom da IA, mas consumo segue fraco

O PMI oficial subiu de 49,8 para 50,1 e interrompeu dois meses de contração, enquanto a pesquisa privada RatingDog chegou a 52,1, máxima em cinco meses. A recuperação, porém, continua desigual, com consumo fraco e investimento baixo.

Linha de produção em uma fábrica na China
A atividade industrial chinesa voltou à zona de expansão em setembro, segundo o PMI oficial. Foto: Pexels / Quang Nguyen Vinh

A atividade industrial da China voltou a crescer em setembro, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (30) e reportados pela CNN Brasil com base em informações da Reuters. O PMI oficial da indústria subiu de 49,8 em agosto para 50,1, acima da linha de 50 que separa expansão de contração.

O resultado encerra dois meses seguidos de retração. A CNN Brasil atribui a virada a dois fatores: a redução dos problemas climáticos, que permitiu às fábricas retomar as operações, e o boom global da inteligência artificial, que deu sustentação ao setor industrial.

O que o PMI mostra por dentro

O subíndice de novos pedidos ficou em 50,5, e o de produção, em 51,7. Os dois estão em território de expansão, com a produção avançando mais do que a demanda.

O PMI do setor não industrial, que reúne serviços e construção, foi a 50,2 em setembro, ante 49,0 em agosto. Ou seja, o indicador também saiu da zona de contração.

A pesquisa privada RatingDog, que mede a indústria, apontou na mesma direção e em nível mais alto: 52,1 em setembro, a máxima em cinco meses, contra 51,5 em agosto. O índice oficial e o privado medem o mesmo setor, mas a distância entre 50,1 e 52,1 mostra que a melhora não é uniforme entre os levantamentos.

Recuperação desigual

A reportagem informa que a recuperação continua desigual. A fraqueza do consumo e o baixo nível de investimentos seguem pesando sobre as perspectivas da economia chinesa, e a retração do setor imobiliário prejudica a confiança de empresas e famílias.

Hao Zhou, economista da Guotai Haitong Securities, em Hong Kong, afirmou que o impulso fiscal da China parece ganhar força e que os dados do PMI de setembro sugerem que a economia voltou a acelerar. Segundo ele, o ponto mais importante agora é verificar se as medidas de alívio no setor imobiliário poderão ajudar a melhorar o consumo.

O que falta para a alta se sustentar

O PMI oficial ficou apenas 0,1 ponto acima da linha de 50, uma margem estreita para declarar tendência. Um único mês de expansão, depois de dois de contração, ainda não mostra se a indústria chinesa encontrou uma base estável.

Parte do fôlego vem de fora: o boom global da IA sustenta a produção industrial, enquanto o consumo interno e o investimento, que dependem da confiança das famílias e das empresas, ainda não acompanham. Enquanto o mercado imobiliário seguir em retração, o crescimento da indústria depende mais da demanda ligada à inteligência artificial do que de uma retomada ampla da economia doméstica.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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