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RAM subiu até 95% em três meses e a IA explica por que o hardware ficou mais caro no Brasil

Segundo a TrendForce, a DRAM subiu entre 90% e 95% no primeiro trimestre de 2026 e a NAND entre 55% e 60%, puxadas pela demanda de data centers de IA. No Brasil, dólar e tributos ampliam a alta.

Módulos de memória RAM e chips sobre uma placa de circuito
A demanda de data centers de IA por memória reduziu a oferta para PCs, consoles e placas de vídeo, de acordo com a TrendForce. Foto: Pexels / Athena Sandrini

Os preços contratuais da memória DRAM, usada nos pentes de RAM, subiram entre 90% e 95% apenas no primeiro trimestre de 2026, e os da NAND, presente em SSDs e consoles, avançaram entre 55% e 60%. Os números são da consultoria TrendForce e foram reunidos em reportagem do ExameLab publicada nesta segunda-feira (19). Segundo o texto, foram as maiores altas trimestrais já registradas pela consultoria.

A origem do aumento está nos data centers de inteligência artificial. Big techs fecham contratos de longo prazo e aceitam pagar mais, e os fabricantes de PCs ficam com o que sobra da produção. Samsung, SK hynix e Micron direcionaram linhas para memórias de maior margem, como DRAM, HBM e SSDs para servidores de IA.

Por que o SSD e a placa de vídeo entram na conta

Parte das fábricas de NAND passou a produzir DRAM, mais lucrativa, e isso reduziu a oferta de SSDs. Em fevereiro, a TrendForce já apontava que nuvem, fabricantes de servidores e marcas de PC enfrentavam falta de DRAM ao mesmo tempo.

As placas de vídeo dependem de memória GDDR6 ou GDDR7. De acordo com a TrendForce, fornecedores estão reduzindo a produção de GDDR6 e deixando o segmento, enquanto a GDDR7 tem fabricação limitada. Os consoles usam RAM e NAND, justamente os componentes que mais encareceram, e as fabricantes podem reajustar preços ou lançar versões com menos armazenamento.

O vaivém do imposto de importação

No Brasil, o câmbio e a tributação somam-se ao problema. O importador paga mais em dólar antes de incluir frete e impostos, e as lojas repassam a variação quando reajustam os lotes novos. A cadeia de tributos (imposto de importação, IPI, PIS/Cofins e ICMS) incide em camadas, cada uma sobre uma base que inclui as anteriores. As reduções de IPI concedidas entre 2019 e 2022 aliviaram parte dessa carga, mas não protegem contra o dólar nem contra a alta dos componentes.

Em 4 de fevereiro, o Gecex publicou a Resolução nº 852, que elevou o imposto de importação de mais de mil itens de bens de capital, informática e telecomunicações, com alíquotas de até 20%. A lista incluía placas de vídeo, processadores, memórias e placas-mãe. Em 27 de fevereiro, a Resolução nº 866 reduziu as alíquotas de 15 produtos, entre eles placas de vídeo, processadores e placas-mãe, que voltaram aos valores anteriores. O restante da lista manteve o aumento.

A reportagem afirma que o vaivém gerou incerteza para os importadores, mas que a alta das placas de vídeo decorre da escassez de memória, e não do imposto.

Quem paga a conta nos próximos trimestres

A TrendForce projeta para o terceiro trimestre reajustes de 13% a 18% na DRAM e de 10% a 15% na NAND. Para o quarto, a estimativa é de 10% a 15% na DRAM e de 15% a 20% na NAND. A consultoria também prevê que a fatia da produção destinada à memória de PCs pode encolher em 2027. Em resumo, os preços não devem cair: as altas ficam menores, mas continuam.

Para quem precisa comprar, a Exame recomenda adiar upgrades não urgentes e levar só a capacidade necessária. Segundo o texto, 32 GB de RAM atendem à maioria dos jogos e trabalhos, e 64 GB se justificam em edição de vídeo pesada ou em modelos de IA rodando localmente. A reportagem desaconselha importar console ou placa de vídeo por conta própria, porque tributos e frete eliminam a diferença de preço e o comprador perde a garantia nacional e o direito de arrependimento do Código de Defesa do Consumidor.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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