segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

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Qualcomm aposta no hábito brasileiro de mandar áudio para levar IA ao bolso sem nuvem

Diego Aguiar, head de vendas e IoT da Qualcomm no Brasil, lista três vantagens de rodar inteligência artificial dentro do celular sem depender da nuvem e defende que decisões sobre dinheiro, saúde e segurança sigam sob supervisão humana.

Pessoa usando assistente de inteligência artificial em um smartphone
A Qualcomm defende processar IA diretamente no celular, sem depender da nuvem, segundo executivo da empresa no Brasil. Foto: Pexels / Solen Feyissa

A Qualcomm pretende processar inteligência artificial dentro do próprio celular do usuário, sem depender de servidores na nuvem, segundo Diego Aguiar, head de vendas e IoT da empresa no Brasil, em entrevista à Exame durante a Rio Innovation Week 2026, no Rio de Janeiro.

Para o executivo, o desempenho do chip isolado não garante uma boa experiência de uso. Ele cita a tradução em tempo real como exemplo: o ganho aparece na resposta mais rápida mesmo com conexão instável, e na possibilidade de manter dados sensíveis no próprio aparelho, sem enviá-los à nuvem.

Por que processar a IA fora da nuvem

A aposta da Qualcomm está no chamado edge AI, tecnologia que roda modelos de inteligência artificial diretamente no chip do celular, sem enviar comandos a servidores remotos. Segundo Aguiar, a abordagem traz três vantagens: menor tempo de resposta, funcionamento mesmo com conexão limitada e a manutenção de dados sensíveis no próprio dispositivo, sem envio à nuvem.

Segundo Aguiar, tarefas rápidas, pessoais ou sensíveis podem ser processadas no aparelho, enquanto atividades que exigem mais capacidade de processamento seguem para a nuvem. Essa divisão, afirmou o executivo, deve orientar a próxima geração de assistentes de IA.

Aguiar também defende que o Brasil pode adotar assistentes de voz mais rápido que outros mercados, porque o hábito de trocar mensagens de áudio já faz parte da rotina digital da população.

"O comportamento conversacional já faz parte da rotina digital da população", afirmou Diego Aguiar, head de vendas e IoT da Qualcomm no Brasil.

O limite que a Qualcomm impõe aos agentes de IA

A etapa seguinte da tecnologia, segundo Aguiar, são agentes de inteligência artificial capazes de executar tarefas completas sozinhos, sem comando a cada passo. O executivo condiciona essa autonomia a um limite: decisões que envolvam valores, responsabilidade ou consequências relevantes devem continuar sob supervisão humana.

"Autonomia sem responsabilidade é um risco", disse Aguiar, head de vendas e IoT da Qualcomm no Brasil.

O executivo cita carreira, saúde, segurança e dinheiro como áreas em que o agente não deve agir sem confirmação do usuário. Para ele, um agente de IA bem projetado reduz trabalho operacional, mas sabe quando agir sozinho, quando pedir confirmação e quando devolver a decisão inteira à pessoa.

Quem garante que os dados ficam no aparelho

Aguiar reconhece que processar dados localmente não resolve, sozinho, a questão da privacidade. Rodar o modelo dentro do celular reduz o tráfego de dados até a nuvem, mas não determina, por si só, o que é coletado nem como essas informações são usadas.

"A linha entre assistência e vigilância é definida por relevância, transparência e controle", afirmou Diego Aguiar, head de vendas e IoT da Qualcomm no Brasil.

Para o executivo, esse é o critério que separa um assistente útil de um mecanismo de vigilância: quais informações o sistema coleta, se o usuário sabe disso e se mantém controle sobre elas. Ele defende, ainda, que empresas e desenvolvedores brasileiros participem da construção dessas tecnologias, adaptando-as ao contexto local, em vez de importar soluções prontas do exterior.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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