sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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Quality Digital sai de dívidas e R$ 7 milhões de receita para R$ 273 milhões e aposta em IA própria

A empresa carioca fechou 2025 com receita líquida de R$ 273,3 milhões e quer usar uma plataforma de IA própria para atender mais de 100 clientes até o fim de 2026, com ganho estimado de 40% a 50% em produtividade.

Equipe de desenvolvedores de software trabalhando em escritório de tecnologia
A Quality Digital, listada na B3 sob o código QUSW3, tem mais de 2 mil funcionários e atua em mais de 25 países. Foto: Pexels / cottonbro studio

A Quality Digital, empresa de tecnologia do Rio de Janeiro listada na B3 sob o código QUSW3, fechou 2025 com receita líquida de R$ 273,3 milhões e prepara uma plataforma própria de inteligência artificial para atender mais de 100 clientes até o fim de 2026, segundo reportagem da Exame publicada nesta sexta-feira (9).

A receita de 2024 havia sido de R$ 255,6 milhões, o que representa alta de cerca de 7% em um ano. A companhia tem mais de 2 mil funcionários e opera em mais de 25 países. A unidade digital respondeu por 53,5% do faturamento de 2025.

De R$ 7 milhões ao ano e dívidas à bolsa

A empresa foi fundada em 1989 pelo pai e pelo tio de Julio Britto Junior, hoje no comando. Ele entrou na companhia em 2003 e assumiu em 2009, ao comprar a participação do pai. Na época, a Quality faturava cerca de R$ 7 milhões por ano, estava endividada e tinha perdido um grande cliente. Segundo a Exame, a saída da Siemens e o fracasso do negócio de TV digital, afetado pela adoção de outro padrão no Brasil, cortaram a receita em cerca de 40%.

O primeiro movimento de Britto foi ligar para Laércio Cosentino, fundador da Totvs, para vender a fatia da família no projeto de TV digital. A Totvs pagou o valor investido, com correção. O BNDES também entrou no capital, com 27%. O plano tinha três etapas: aumentar a receita e gerar caixa, construir governança e só então comprar empresas.

A Quality abriu capital na B3 em 2013 e quitou as últimas dívidas da crise em 2014, quando faturava entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. Britto atribui a oportunidade que teve a uma situação dura de insolvência, de acordo com a reportagem.

As compras que sustentam o faturamento

O crescimento veio em boa parte por aquisições. A TechSupply, de sistemas de risco e compliance, tinha receita próxima de R$ 60 milhões em 2015. A Premier IT, de infraestrutura de TI em Curitiba, chegou a cerca de R$ 90 milhões dois anos depois. A ACCT, de comércio eletrônico, foi comprada em 2022 por R$ 66 milhões, e a Driven atua em desenvolvimento de produtos digitais e experiência do cliente.

A receita foi de cerca de R$ 200 milhões em 2021 e de R$ 240 milhões em 2022. Britto disse à Exame que as aquisições foram um aprendizado duro e caótico no início.

O que a plataforma de IA promete e o que ainda depende dela

A nova plataforma vai automatizar parte do serviço prestado aos clientes, como programação, testes de software e manutenção de sistemas, usando o conhecimento acumulado pela empresa em projetos anteriores. Nos primeiros usos, o ganho de produtividade estimado é de 40% a 50%. Britto apresentou o número como estimativa, que depende do desenvolvimento da plataforma.

A meta é crescer sem ampliar as equipes no mesmo ritmo. Os riscos citados na reportagem são integrar as ferramentas sem interromper serviços em operação e manter a segurança, a proteção de dados e o funcionamento dos sistemas dos clientes.

O prazo de 2026 para provar a estimativa

A promessa de atender mais de 100 clientes com a plataforma até o fim do ano deixa pouco mais de dois meses para a Quality mostrar se a produtividade estimada se confirma na rotina. Se o ganho de 40% a 50% se sustentar, a empresa poderá aumentar a receita sem elevar a folha na mesma proporção, que é o objetivo declarado de Britto.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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