quarta-feira, 7 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Ray Dalio diz que a bolha da IA se aproxima do estouro e aponta juros e dívida das big techs

Fundador da Bridgewater afirma pela segunda vez que o mercado de inteligência artificial está perto do ponto de ruptura, com o Treasury de 10 anos no maior nível desde 2002.

Telas de operadores com gráficos do mercado financeiro
Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, falou sobre a bolha da IA em conferência da Forbes em Singapura. Foto: Grameen America / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O bilionário Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou nesta semana, na Conferência Global de CEOs da Forbes, em Singapura, que a bolha da inteligência artificial está se aproximando de um ponto de ruptura. Segundo o Money Times, que reproduziu informações da Forbes, é a segunda vez que ele faz o alerta.

Dalio disse que o mercado ainda não estourou, mas está na parte do ciclo que antecede esse momento. Em junho, ele já havia dito que o setor mostrava sinais de bolha e que todas as grandes mudanças tecnológicas produzem bolhas.

O que pode furar a bolha

De acordo com a reportagem, o investidor aponta dois gatilhos principais: a alta das taxas de juros e o aumento do endividamento das empresas de tecnologia para financiar a infraestrutura de IA. A necessidade de capital na corrida por novas tecnologias fez as dívidas corporativas nos Estados Unidos dispararem.

O rendimento do Treasury de 10 anos, o título do governo americano usado como referência global, está no maior nível desde 2002. Isso encarece o crédito e aperta as condições financeiras justamente quando as gigantes do setor seguem ampliando os gastos com data centers e capacidade computacional.

Há ainda um fator político na lista de Dalio: a possibilidade de impostos sobre grandes fortunas e de medidas que transformem ganhos contábeis em dinheiro para pagar tributos.

Riqueza no papel e dinheiro no bolso

Para explicar o mecanismo, Dalio separou patrimônio e caixa. Segundo ele, muita gente diz valer US$ 1 bilhão, mas o difícil é gastar esse valor. Na quarta-feira (7), afirmou que, para gastar, é preciso vender riqueza e convertê-la em dinheiro, e que é nesse momento que a bolha costuma estourar.

A leitura vale para fundadores e acionistas de empresas de IA, cuja fortuna está em ações e participações. Se muitos precisarem vender ao mesmo tempo, seja por dívida, seja por imposto, o preço dos ativos cai e a conversão em caixa fica mais cara.

Mercado segue otimista, e o Brasil sente o efeito

O alerta convive com um mercado ainda aquecido. De acordo com a reportagem, o entusiasmo com as grandes empresas de tecnologia continua sustentando as bolsas dos EUA, com efeitos positivos sobre o S&P 500 e o Nasdaq 100. Investidores, porém, questionam se a receita futura da IA vai justificar o capital investido.

Para o investidor brasileiro, a consequência é direta. Fundos e ações atrelados às big techs, muitos deles acessíveis por BDRs e carteiras internacionais, ficam expostos a uma correção se os juros americanos continuarem subindo. O Treasury em máxima de mais de 20 anos também atrai capital para fora de mercados emergentes e pressiona o câmbio.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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