quinta-feira, 8 de outubro de 2026 · Edição diária

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Reflection AI lança o Beam, modelo aberto que mira DeepSeek e a receita de OpenAI e Anthropic

A startup americana, avaliada em US$ 25 bilhões antes do novo aporte, diz que o Beam entrega desempenho dos melhores modelos chineses por uma fração do preço de Anthropic e OpenAI.

Servidores de data center usados para treinar e rodar modelos de inteligência artificial
Modelos de pesos abertos podem ser baixados e adaptados por empresas, ao contrário dos modelos fechados vendidos por API. Foto: Pexels / Tara Winstead

A Reflection AI, startup americana de inteligência artificial, lançou nesta semana o Beam, um novo modelo de pesos abertos voltado a empresas e a desenvolvedores de código, segundo o Brazil Journal, em reportagem publicada em 7 de outubro. A companhia afirma que o modelo tem desempenho equivalente ao dos melhores modelos chineses, como DeepSeek e Moonshot, e custa uma fração do que Anthropic e OpenAI cobram.

Os números de desempenho e de preço são declarações da própria empresa. A Reflection disse que vai publicar em breve os pesos do Beam e os detalhes técnicos completos, o que permitirá a terceiros checar a comparação.

Quem é a Reflection e quanto vale

A Reflection AI foi fundada em 2024 por dois ex-pesquisadores do Google DeepMind. Entre os investidores estão a Nvidia e a Sequoia. A empresa fechou uma nova rodada de financiamento com avaliação de US$ 25 bilhões antes do aporte (pre-money). O valor captado não foi divulgado.

O Beam foi pensado para a construção e a implantação de agentes de IA, segundo a reportagem. É um mercado em que as empresas medem custo por tarefa, e o preço do modelo pesa diretamente na decisão de contratar ou não.

O que muda com os pesos abertos

Em um modelo de pesos abertos, a arquitetura e os parâmetros ficam públicos. Qualquer empresa pode baixar o modelo, rodá-lo em infraestrutura própria e adaptá-lo, de forma parecida com o que ocorre com software de código aberto. Os modelos fechados, como ChatGPT e Claude, só podem ser acessados pela nuvem de seus provedores ou por APIs específicas.

Anthropic e OpenAI mantêm seus modelos fechados e hoje concentram a maior parte da receita do setor, de acordo com o Brazil Journal. O veículo cita um dado que muda a conta: modelos abertos já respondem por quase 80% dos tokens processados, enquanto no início do ano os fechados tinham cerca de 80%. A reportagem observa que essa inversão pode pressionar as avaliações das duas empresas.

A Reflection não está sozinha na estratégia. A francesa Mistral lançou há pouco o Mistral Large 4, apelidado de "le Chonk", que a empresa apresenta como voltado a cibersegurança, programação e finanças. O pitch é o mesmo do Beam: competitivo com os principais modelos abertos chineses, por uma fração do custo dos modelos fechados americanos. Em setembro, a Mistral levantou € 3 bilhões em uma Series D, com avaliação de € 21 bilhões, segundo a CNBC.

Quem paga a conta e quem pode economizar

Para empresas que hoje pagam por tokens a provedores fechados, a chegada de modelos abertos competitivos amplia a margem de negociação e abre a opção de rodar a IA em infraestrutura própria. Para Anthropic e OpenAI, o risco é de preço: se o mercado migrar para alternativas mais baratas, a receita por token tende a ser disputada.

O teste do Beam começa com a publicação dos pesos. Só então desenvolvedores e empresas poderão medir se o desempenho se sustenta fora dos testes da própria Reflection, e se a economia anunciada aparece na fatura.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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