Cerca de 57% dos eleitores registrados nos Estados Unidos afirmam que o governo de Donald Trump não leva os riscos da inteligência artificial a sério o bastante, ou não leva de forma alguma. O dado é de uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta-feira (8), a menos de um mês das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro, quando está em jogo o controle do Congresso.
O levantamento foi feito on-line, em âmbito nacional, ao longo de seis dias, com término na segunda-feira. Ouviu 4.506 adultos, entre eles 3.526 eleitores registrados, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Segundo a reportagem, cerca de um terço dos republicanos está entre os que veem pouca seriedade da Casa Branca no tema.
A IA assusta mais do que a imigração
O número de maior peso político está na percepção de ameaça: 84% dos entrevistados consideram a IA um risco para os trabalhadores americanos. Para efeito de comparação, 60% veem a imigração ilegal como ameaça, 74% apontam os trabalhadores estrangeiros e 73% citam as grandes corporações.
Outros 62% dizem que a IA pode sair do controle e pôr em risco o futuro da humanidade, proporção parecida com a de uma pesquisa de agosto de 2025. Já a rejeição ao uso militar subiu: 57% acham que o governo não deve usar IA para escolher alvos de ataques, contra 49% na sondagem anterior.
Regulação e data centers têm apoio dos dois partidos
A cobrança por regras mais duras é bipartidária. Defendem regulação mais rígida do governo 80% dos democratas e 61% dos republicanos. Sobre o Congresso, cerca de 54% avaliam que ele também não leva os riscos a sério.
A construção de data centers divide menos do que se poderia esperar: 56% apoiam limites a novas obras, incluindo 69% dos democratas, 55% dos independentes e 43% dos republicanos. A reportagem da CNN Brasil lembra que as instalações, barulhentas e de alto consumo de energia, instaladas perto de residências, estão elevando as contas de luz. Trump defende com frequência a IA e a expansão dos data centers, com o argumento de que são vitais para competir com a China.
O que o governo respondeu e o que o Congresso não fez
Na semana passada, Trump disse que executivos de seis grandes desenvolvedoras (Nvidia, SpaceX, OpenAI, Anthropic, Meta e Alphabet, dona do Google) concordaram com princípios voluntários de segurança, entre eles trabalhar com auditores independentes. O acordo não prevê consequências para quem descumprir. Um funcionário da Casa Branca citou a nova força-tarefa de IA de Trump e disse que a prioridade é uma economia em crescimento.
O Congresso não chegou a acordo sobre uma lei de IA, e os parlamentares devem ficar longe de Washington até depois da eleição de meio de mandato. Bernie Sanders e Steve Bannon estão entre as lideranças que pedem ação federal. Daniel Kokotajlo, ex-funcionário da OpenAI que deixou a empresa em 2024, afirmou que perda de empregos e ameaças à saúde e à segurança são preocupações mais urgentes para a maioria dos americanos do que os temas priorizados pelo governo.
O que fica para quem acompanha o setor
Para as empresas de IA, a pesquisa indica que os princípios voluntários não resolvem a pressão do eleitorado. Com 84% vendo risco para o emprego e maioria favorável a limites para data centers, o tema tende a entrar na campanha de novembro, e a decisão sobre regras federais fica para o Congresso que sair das urnas.



