A Samsung Electronics projetou lucro operacional de 107,4 trilhões de wons (cerca de US$ 80,17 bilhões, ou R$ 428 bilhões) para o terceiro trimestre de 2026. A prévia foi divulgada na quinta-feira (8) e relatada pelo Canaltech com base em informações da Reuters. O valor é 782,5% maior que o do mesmo período do ano passado.
Os analistas esperavam 106,1 trilhões de wons, de modo que a empresa superou a estimativa do mercado. Se o número se confirmar, será o quarto trimestre seguido de lucro operacional recorde. O Canaltech afirma que pode ser o maior lucro trimestral já registrado por uma empresa de tecnologia. A receita esperada é de 195 trilhões de wons, alta de 126,6% na comparação anual.
O que sustenta o resultado
O motor é a demanda por chips de memória usados em servidores de IA e em data centers. A Samsung é a maior fabricante de memória do mundo. Analistas citados pela Reuters estimam que os embarques de memória de alta largura de banda (HBM) cresceram cerca de 50% entre o segundo e o terceiro trimestre.
A procura da IA também provocou escassez de memórias DRAM e NAND, o que elevou os preços de forma acentuada. Samsung, SK Hynix e Micron ganharam margem com isso. O Canaltech não traz números da SK Hynix. As empresas do setor esperam que a oferta fique abaixo da demanda até 2028, embora exista preocupação com uma possível desaceleração dos investimentos em IA.
Onde a Samsung ainda perde dinheiro
O lucro vem quase todo da divisão de chips. No negócio de smartphones, analistas esperam prejuízo acima de US$ 1 bilhão no trimestre, pior do que o mercado previa. O custo mais alto dos componentes pressiona a margem dos aparelhos Galaxy, ou seja, a mesma alta de preço que enriquece a área de memória encarece a produção dos celulares da própria empresa.
A fundição, que fabrica chips sob encomenda, deve seguir no vermelho por causa das despesas elevadas e do uso limitado das fábricas. A Samsung tenta diminuir a distância para a TSMC, sua principal concorrente nesse segmento.
Ações em queda e a data que confirma os números
O resultado convive com um mercado menos entusiasmado. As ações da Samsung acumulam queda de mais de 25% desde o pico de junho. O won mais forte também reduz o valor, em moeda sul-coreana, da receita obtida no exterior.
Os números são preliminares. O balanço completo, com o desempenho de cada divisão, sai em 29 de outubro. Será nessa data que o mercado verá quanto do lucro de memória foi consumido pelas perdas em celulares e fundição, e se a projeção de oferta apertada até 2028 se sustenta.



