quinta-feira, 1 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Serpro põe 250 desenvolvedores para testar IA de código e mira o custo dos tokens

A estatal testa por 60 dias o SerproCODE, plataforma de geração de código com IA, e promete governança sobre o gasto com tokens. A partir de janeiro de 2027, ela será oferecida a empresas públicas e privadas.

Desenvolvedores trabalhando com código em computadores
O SerproCODE gera código com inteligência artificial e passa por teste de 60 dias com 250 desenvolvedores do Serpro. Foto: Pexels / Daniil Komov

O Serpro, empresa de tecnologia do governo federal, vai testar por 60 dias o SerproCODE, plataforma de geração de código com inteligência artificial, com 250 desenvolvedores, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (1º) pelo Convergência Digital. A fase anterior reuniu 50 funcionários da estatal.

O objetivo declarado é controlar o custo de tokens, a unidade em que os serviços de IA cobram pelo uso. Carlos Lima, superintendente de IA do Serpro, disse ao veículo que a expectativa é permitir a governança efetiva do uso dos tokens. Segundo ele, essa é uma dor que a estatal tem e que todo o mercado tem.

O que muda depois dos 60 dias

Terminado o prazo de teste, a plataforma será estendida a todos os funcionários do Serpro. A abertura para o público externo vem depois: a partir de janeiro de 2027, o SerproCODE será liberado para provas de conceito em organizações do mercado privado e do setor público.

A oferta externa seguirá como serviço dentro da IA Brasil, a iniciativa de IA soberana do Serpro. O SerproCODE foi lançado em agosto como parte dessa marca, apresentada no Fórum Executivo Setor Público Brasil AWS, em Brasília.

Por que o custo de tokens entrou na pauta

Ferramentas de código com IA cobram conforme o volume de texto processado, o que torna a fatura difícil de prever quando centenas de desenvolvedores usam o serviço ao mesmo tempo. O Serpro apresenta o SerproCODE como forma de acompanhar e limitar esse consumo dentro de casa, em vez de deixar cada equipe contratar ferramentas por conta própria.

A reportagem não detalha, nos trechos disponíveis, quais modelos sustentam a plataforma nem qual é a meta de redução de custo. Também não informa o valor contratado ou o orçamento do piloto. Esses números definirão se a promessa de economia no título da matéria original se confirma.

A aposta na língua e na cultura locais

Lima também citou a demanda das empresas por uma IA que entenda a língua e a cultura brasileiras. É o argumento comercial da IA Brasil: oferecer a clientes públicos e privados uma alternativa nacional, operada por uma estatal, para quem hoje depende de plataformas estrangeiras.

Para os clientes em potencial, o próximo marco é janeiro de 2027. Até lá, o resultado do teste com os 250 desenvolvedores indicará se a governança de tokens funciona na prática e se o Serpro consegue transformar uma ferramenta interna em produto vendável.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.