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Só 11 dos 1.955 maiores sites do Brasil estão prontos para agentes de IA, aponta estudo

Levantamento State of Crawl 2027, da Conversion, mostra que 85,42% dos sites mais acessados do país cumprem o SEO técnico, mas só 11 (0,56%) podem ser lidos e navegados por agentes de IA.

Tela de computador com código de um site
Estudo da Conversion avaliou 1.955 domínios brasileiros de grande audiência em duas notas, uma técnica e outra para agentes de IA. Foto: Pexels / Bibek ghosh

Apenas 11 dos 1.955 sites de maior audiência no Brasil estão preparados para ser lidos, entendidos e navegados por agentes de inteligência artificial, segundo o estudo State of Crawl 2027, conduzido pela Conversion e divulgado nesta sexta-feira (2). O número equivale a 0,56% da amostra. No mesmo grupo, 1.670 domínios (85,42%) cumprem os requisitos de SEO técnico, base para aparecer em buscadores tradicionais.

A diferença entre os dois resultados é de 84,86 pontos percentuais. Os números sugerem que o trabalho feito nos últimos anos para agradar ao Google não se converteu, na mesma medida, em prontidão para uma web onde programas de IA fazem consultas, comparações e ações em nome do usuário.

Duas notas com uma distância enorme entre si

A Conversion deu a cada domínio duas notas, de 0 a 100: uma de desempenho técnico e outra de preparo para agentes de IA. A mediana técnica ficou em 90. Na dimensão agêntica, foi de 25.

Mesmo os sites mais bem colocados na segunda escala ficaram longe do topo. De acordo com o estudo, o corte que separa os 25% melhores nessa dimensão é de 37,5 pontos, abaixo do patamar de 70 usado como referência para considerar um site preparado. Por isso o grupo aprovado se resume a 11 endereços.

A metodologia combinou duas ferramentas. Na parte técnica, o estudo usou o diagnóstico PageSpeed Insights, do Google. Para medir a leitura por agentes, aplicou o teste Is It Agent Ready, da Cloudflare, que avalia se um site consegue ser interpretado e percorrido por sistemas automatizados.

Encontrar uma página não é agir nela

O estudo parte da separação entre dois desafios. O primeiro é fazer a página ser encontrada, tarefa clássica do SEO. O segundo é permitir que um agente de IA leia o conteúdo, entenda a estrutura e execute uma ação nele, como consultar um preço, comparar condições ou iniciar uma compra. É nesse segundo campo que entra a GEO (Generative Engine Optimization), a otimização para mecanismos de resposta baseados em IA generativa.

A amostra reúne domínios entre os mais acessados do país, o que dá peso ao resultado: são os sites com maior equipe técnica e orçamento de marketing digital. Se a prontidão para agentes é de 0,56% nesse grupo, a expectativa para sites menores é ainda mais baixa, embora o estudo não tenha medido essa faixa.

O risco para quem vende online

Para empresas com operação digital, a leitura prática é que nota alta em velocidade e indexação não garante presença quando o consumidor delegar a pesquisa a um assistente de IA. Um site que o agente não consegue interpretar tende a ficar fora da comparação, mesmo que apareça bem no buscador.

O levantamento não traz recomendações detalhadas nem declarações de porta-vozes da Conversion, e se limita a medir a distância entre os dois níveis de preparo. O ponto de partida, porém, está dado: com mediana de 25 pontos em 100, a maior parte dos grandes sites brasileiros ainda precisa começar a adaptação.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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