O mercado global de smartphones encolheu 20% no terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Counterpoint Research, em levantamento divulgado pelo Canaltech nesta terça-feira (13). O volume de aparelhos enviados às lojas é o menor para um terceiro trimestre desde 2012. A Counterpoint aponta como principal causa a escassez de chips de memória, cuja produção foi redirecionada para a infraestrutura de inteligência artificial.
Entre os fabricantes, a Samsung liderou, com 23% do mercado. A Apple veio logo atrás, com 22%. De acordo com a reportagem, foi a primeira vez que o iPhone passou de 20% de participação em um terceiro trimestre. A Samsung teve ainda o impulso da demanda inicial pelo Galaxy Z Fold, seu dobrável.
Quem ganhou espaço e quem ficou para trás
A Xiaomi aparece em terceiro, com 10%. A Oppo tem 9%, a Vivo, 8%, e as demais marcas somam 27%. Samsung e Apple estão separadas por um ponto percentual, margem curta o bastante para que o fim do ano decida quem fecha 2026 na frente.
Atribuir a queda às marcas chinesas exige cautela. O texto do Canaltech observa que a participação de mercado, sozinha, não prova que todas as fabricantes chinesas venderam menos, nem que a crise de memória explique sozinha a distância para Samsung e Apple. Os números mostram a fotografia do trimestre, não a causa de cada resultado.
Por que os data centers puxam a memória do celular
Segundo a Counterpoint, o mecanismo passa pela memória de alta largura de banda, conhecida pela sigla HBM. Os data centers de IA ampliaram a procura por esse chip, que dá margens maiores aos produtores. Samsung, SK Hynix e Micron levaram mais recursos para a HBM, e a oferta de DRAM tradicional, a usada nos smartphones, diminuiu.
Com menos DRAM no mercado, as fabricantes de celulares pagam mais pelos componentes. A reportagem afirma que esse aumento pode chegar ao consumidor em forma de preços maiores nas prateleiras.
Quem paga a conta da memória
Quem compra um aparelho novo tende a absorver o custo, se as fabricantes repassarem o aumento. O trimestre também mostra que a disputa por chips entre a indústria de IA e a de eletrônicos de consumo já aparece nas vendas, e não só nas projeções de analistas.
O quarto trimestre deve ser decisivo. Ele reúne as vendas de fim de ano e o lançamento do primeiro iPhone dobrável, previsto para o fim de outubro. Se a Apple transformar o produto em demanda, pode tomar a liderança da Samsung, hoje a apenas um ponto de distância.



