O estrategista de mercado Joachim Klement, da Panmure Liberum, banco de investimento britânico, afirmou nesta semana que o índice S&P 500 pode recuar a 5.000 pontos até o fim de 2027, segundo reportagem de agências internacionais replicada pelo Valor Econômico em 8 de outubro. A projeção equivale a uma queda de mais de 35% em relação ao fechamento de 7.722,72 pontos registrado na véspera da previsão.
A casa também revisou as metas para os principais índices europeus. Segundo o levantamento, o STOXX 600 deve terminar 2027 em 430 pontos e o FTSE 100, em 8.260 pontos, ambos abaixo dos níveis atuais. Para Klement, a alta das bolsas que dura desde outubro de 2022, impulsionada em boa parte pelas apostas em inteligência artificial, começa a mostrar sinais de esgotamento.
O que pode antecipar o fim da alta
O estrategista atribui o risco a uma combinação de fatores: rendimentos mais altos dos títulos do Tesouro americano, novas altas de juros possíveis do Federal Reserve e do Banco da Inglaterra, inflação que resiste a ceder e o arrefecimento do entusiasmo com a inteligência artificial que sustentou boa parte do ganho das bolsas nos últimos anos. Segundo ele, se os rendimentos dos títulos e os juros continuarem subindo, o fim do mercado altista em ações pode chegar mais rápido do que a maioria dos investidores espera.
Klement também avalia, de acordo com o mesmo levantamento, que toda a bolha ligada à inteligência artificial pode estourar em 2027 ou em 2028. Segundo ele, a temporada de resultados do terceiro trimestre deste ano e as projeções para 2027 que as empresas vão divulgar em janeiro funcionam como um teste de realidade para o setor de tecnologia.
Divergência com o resto do mercado
A previsão da Panmure Liberum contrasta com a de outras corretoras, que esperam o S&P 500 terminar 2026 em 8.000 pontos ou mais e preveem a continuidade do mercado altista também em 2027. O índice acumula alta de 12,8% em 2026 e segue a disparada iniciada há quatro anos, quando as apostas em data centers e chips para IA passaram a concentrar parte relevante do valor de mercado das empresas listadas.
O estrategista descreve o momento como um impasse para as empresas de tecnologia que mais investem em data centers. Segundo ele, um corte nos gastos das grandes companhias de nuvem preocupa o mercado por afetar fabricantes de chips e de equipamentos, enquanto um novo salto nos investimentos também pesa sobre as ações, por elevar o risco de consumo de caixa sem retorno imediato.
Quem sente o estouro primeiro
Uma queda de 35% no S&P 500 afetaria diretamente fundos de pensão, carteiras de aposentadoria e investidores brasileiros que compraram ETFs e BDRs ligados a empresas americanas de tecnologia nos últimos anos, movimento que cresceu junto com a alta das ações de IA. O índice concentra parcela expressiva do seu valor em um pequeno grupo de empresas de tecnologia, o que amplia o impacto de qualquer correção nesse grupo sobre o restante da carteira de quem investe em fundos passivos globais.
Klement reconhece que sua visão é uma entre várias, em um momento em que as bolsas seguem perto de máximas históricas e a maioria das casas de análise mantém projeções mais otimistas. Para ele, o calendário dos próximos meses, com resultados trimestrais e as metas para 2027, vai mostrar se o apetite por ações ligadas à inteligência artificial resiste a juros mais altos.
Fontes consultadas
- Valor Econômico — Estrategista alerta que bolha da IA pode causar pior queda do S&P 500 desde 2008
- Kitco News (off-the-wire) — Panmure Liberum forecasts S&P 500 falling to 5,000, warns bull run nearing end
- Hargreaves Lansdown — Panmure Liberum forecasts S&P 500 falling to 5,000, warns bull run nearing end



