A TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita recorde de NT$ 1,494 trilhão (cerca de R$ 234 bilhões), segundo o balanço mensal de setembro enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) nesta quinta-feira (8). O valor representa alta de cerca de 51% sobre o mesmo trimestre de 2025, quando a empresa taiwanesa faturou NT$ 989,92 bilhões.
O resultado trimestral é a soma dos três relatórios mensais que a TSMC publica regularmente ao longo do ano. Ele supera a própria previsão dada pela empresa em julho, de receita entre US$ 44,6 bilhões e US$ 45,8 bilhões para o período, calculada com uma taxa de câmbio de NT$ 32 por dólar.
A soma dos três meses que bateu a meta
Julho fechou em NT$ 467,58 bilhões, 44,7% acima do mesmo mês de 2025. Agosto somou NT$ 514,81 bilhões, novo recorde para o mês, com alta de 53,3% na comparação anual e de 10,1% sobre julho. Setembro manteve o ritmo: NT$ 511,857 bilhões, 54,6% a mais que setembro de 2025, ainda que 0,6% abaixo de agosto.
O ritmo também acelerou em relação ao trimestre anterior. Entre abril e junho, a receita da TSMC havia somado NT$ 1,27 trilhão, com alta de 36% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados anteriormente pela própria companhia.
No acumulado de janeiro a setembro, a TSMC somou NT$ 3,899 trilhões, 41,1% a mais que os NT$ 2,763 trilhões do mesmo período de 2025. A companhia já havia dito que espera terminar 2026 com receita em dólares crescendo pouco mais de 40% sobre o ano anterior.
Quem compra os chips mais caros do mundo
A TSMC fabrica, sob encomenda, os processadores usados por Nvidia, Apple e AMD, entre outras empresas de tecnologia. Analistas atribuem o salto de receita à demanda por chips para servidores de inteligência artificial, somada a pedidos ligados ao lançamento de novos smartphones no período, segundo agências internacionais que acompanham os números mensais da fabricante taiwanesa.
A empresa funciona hoje como fornecedora central da corrida por capacidade computacional que sustenta os grandes modelos de linguagem das big techs americanas e chinesas. Oscilações na fábrica taiwanesa chegam direto ao custo e à disponibilidade de chips usados em data centers de todo o mundo, incluindo os que atendem clientes no Brasil.
O que pesa se a fome por IA perder ritmo
O número divulgado nesta semana é a soma dos balanços mensais, apurada antes do balanço trimestral completo, que a TSMC costuma detalhar em teleconferência própria, geralmente na terceira semana de outubro. Só então a empresa deve informar lucro líquido, margem e a projeção para o quarto trimestre.
Para o mercado de tecnologia, o indicador reforça a leitura de que a demanda por capacidade de IA ainda não deu sinal de desaceleração em 2026, mesmo com analistas internacionais questionando o ritmo dos investimentos das big techs em infraestrutura de inteligência artificial. Uma eventual freada nesses pedidos chegaria primeiro à TSMC, que concentra a fabricação dos chips mais avançados usados nesses projetos.



