A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, informou o Ministério da Saúde, segundo a Agência Brasil neste sábado (10). O governo descreve o imunizante como o primeiro do mundo contra esse parasita, que responde pela maioria dos casos da doença no país.
A vacina é fruto de pesquisas do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e usa tecnologia 100% nacional. Em nota, a pasta afirmou que o trabalho representa um marco. O ministério prevê R$ 12 milhões em incentivo para os ensaios clínicos das fases I, II e III.
O que a primeira fase vai medir
A fase I avaliará a segurança da dose, as reações à aplicação e a capacidade de provocar resposta imunológica. Participarão 48 voluntários com idade entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção pela doença. Eles terão acompanhamento clínico por 360 dias.
Os números da fase I indicam que o caminho até uma eventual vacina disponível ainda é longo. Os dados da Agência Brasil não trazem prazo para as fases II e III nem para um pedido de registro.
Por que o vivax ficou sem vacina
As duas vacinas contra a malária hoje recomendadas por autoridades de saúde miram o Plasmodium falciparum, espécie predominante na África. O Plasmodium vivax predomina nas Américas e na Ásia, e é o alvo da Vivaxin.
O Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025, de acordo com os dados citados pela reportagem. A maior parte está na Amazônia: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Fora da região amazônica as notificações são poucas, mas o ministério informa que a letalidade é maior ali do que entre os casos amazônicos.
Quem se beneficia e o que ainda falta
A doença é transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, mais ativas ao entardecer e ao amanhecer, e não passa diretamente de uma pessoa para outra, ressalta o ministério. Quem já teve vários episódios pode desenvolver imunidade parcial, mas até hoje não se observou imunidade total, que daria proteção clínica completa.
Pacientes sem tratamento podem continuar como fonte de infecção por meses ou anos, dependendo da espécie do parasita. Por isso, uma vacina contra o vivax interessa sobretudo aos estados amazônicos, onde a transmissão se concentra. O resultado da fase I, com 48 voluntários, será o primeiro dado público sobre segurança e resposta imunológica da Vivaxin.



