Criar vídeo com inteligência artificial no celular sem assinatura é possível, mas só até certo ponto. Levantamento publicado pela Exame neste sábado (10) mostra que os aplicativos gratuitos cobrem bem a edição assistida e a animação de fotos, e passam a cobrar em cotas ou créditos quando o usuário pede cenas inteiras geradas a partir de texto.
O interesse tem base em números. De acordo com o Global AI Diffusion Report, da Microsoft, 20,2% dos brasileiros de 15 a 64 anos usavam IA generativa no 2º trimestre de 2026, contra 18,8% na média mundial.
A Exame separa o que se chama de vídeo com IA em quatro usos. O primeiro é a edição assistida, com cortes automáticos, remoção de silêncios, limpeza de áudio, legendas e redimensionamento. O segundo é a montagem a partir de um roteiro, com narração sintética, trilha e imagens de banco. O terceiro transforma uma foto em vídeo. O quarto gera cenas do zero a partir de texto, o que consome créditos e, segundo a reportagem, tem mais erros e falhas de continuidade.
O que cada app entrega sem pagar
O CapCut, da ByteDance, faz legendas automáticas em português, remove fundo e oferece modelos, narração sintética e um gerador de vídeo a partir de texto ou imagem. Os limites variam por conta e por região, e parte dos recursos de IA exige plano Pro ou créditos extras. O Edits, da Meta, que chegou ao Brasil em abril de 2025, permite gravar, editar em linha do tempo, legendar e exportar sem marca-d'água. Seu recurso Restyle foi liberado aos poucos e pode não aparecer em todas as contas.
O Adobe Firefly, para Android e iOS, gera vídeo a partir de texto e de foto sem exigir assinatura. As gerações se renovam todos os dias, mas a Adobe não informa a quantidade, e a Exame o indica para trechos curtos. No Canva, o editor de vídeo é gratuito para conteúdo informativo, os recursos de IA para roteiro e imagens têm franquia de uso, e elementos premium saem com marca-d'água na exportação gratuita.
Entre as ferramentas de big techs, o cenário é mais fechado. No Gemini, criar vídeo em conta pessoal exige os planos Google AI Plus, Pro ou Ultra, e os clipes têm 8 segundos. O Gemini Omni substituiu o Veo no aplicativo. A OpenAI descontinuou o app e a versão web do Sora em 26 de abril de 2026, de acordo com a Exame.
Onde o grátis acaba
Para a reportagem, "grátis" costuma significar testar, não produzir em volume. Quem precisa publicar com frequência deve verificar limites, duração, marca-d'água e exigência de assinatura dentro de cada app, porque essas regras mudam com frequência. As legendas automáticas também erram nomes, números e valores em reais, e exigem revisão manual antes de ir ao ar.
Há ainda o risco com dados e direitos. A Exame recomenda baixar aplicativos apenas das lojas oficiais e checar o desenvolvedor, já que apps genéricos podem cobrar assinaturas semanais e coletar dados em excesso. Documentos, telas de conversa, localização e rostos de menores não devem ser enviados, porque alguns serviços podem usar o material para treinar modelos. Imagens, músicas, vozes e marcas de terceiros só entram com licença ou autorização, e Instagram, TikTok e YouTube oferecem opções para sinalizar conteúdo gerado ou alterado por IA.



