quinta-feira, 8 de outubro de 2026 · Edição diária

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Wells Fargo diz que bancários com IA vendem 31% mais, mas só mostrou o número de uma equipe

Segundo a Fortune, bancários licenciados do Wells Fargo com apoio de IA aumentaram em 31% a venda de contas de depósito e cartões de crédito. O número é do próprio banco e vale para uma parte da equipe, não para os 148 mil funcionários com acesso ao Copilot.

Atendimento em agência bancária
Bancários licenciados do Wells Fargo com apoio de IA registraram alta de 31% nas vendas de contas e cartões, segundo a Fortune. Foto: Pexels / Steve Pancrate

Bancários licenciados em agências do Wells Fargo que trabalham com apoio de inteligência artificial venderam 31% mais contas de depósito e cartões de crédito, segundo reportagem da Fortune publicada nesta semana e relatada pela Exame. O dado foi informado por Saul Van Beurden, responsável pela área de IA do banco americano, dentro da série da revista sobre o ranking AIQ 75.

O resultado vem do próprio banco e se refere a um grupo específico: os bancários licenciados das agências, não o conjunto de funcionários. A Fortune não informa, nos trechos relatados pela Exame, o período de comparação nem o grupo usado como base.

Copilot para 148 mil pessoas

O Wells Fargo liberou o Microsoft 365 Copilot para 148 mil funcionários. A ferramenta funciona dentro de e-mail, planilhas e apresentações, e quem decide é o profissional, que revisa o que a IA produz. Gerentes de relacionamento e consultores de investimento usam o sistema para se preparar antes de conversar com clientes.

Há um segundo número no relato. As indicações de clientes para consultores apoiados por IA dobraram, de acordo com a Fortune. O banco não detalha de onde vêm essas indicações.

Projeto só passa com retorno

Van Beurden afirmou que cada projeto de IA é aprovado pelo retorno esperado. O uso precisa gerar receita, elevar a produtividade, cortar custos ou reduzir risco. Cada área tem um líder responsável por todo o ciclo, da ideia à expansão em larga escala.

Os concorrentes seguem caminhos parecidos, com resultados menos ligados a vendas. O Bank of America liberou o agente EricaAssist para mais de 18 mil atendentes e reduziu em quase um minuto o tempo médio das chamadas, mas trata a evolução para sistemas com agentes de forma cautelosa. No Capital One, o executivo Prem Natarajan disse que os atendentes editam só um quinto do texto que a IA escreve nos resumos de casos.

No BNY, 70% dos 47 mil funcionários usam IA com regularidade, e o treinamento é dividido em três níveis. O Citi incentiva testes com limites definidos para evitar erros. O Morgan Stanley opera sistemas orquestrados, em que vários agentes atuam juntos em um mesmo fluxo de trabalho.

O que vem depois e o que falta provar

A consultoria BCG recomenda que instituições financeiras invistam 2% da receita em IA neste ano, mesmo patamar do setor de tecnologia. Para a Fortune, a próxima fase são ferramentas que executam etapas inteiras de um processo, enquanto os bancos acompanham resultados e riscos.

Para quem acompanha o setor financeiro brasileiro, o caso mostra o tipo de métrica que os grandes bancos americanos passaram a exigir: venda por funcionário, tempo de atendimento, parcela do texto editada. Falta ao Wells Fargo publicar a metodologia do número de 31%, o que permitiria separar o efeito da IA do efeito de outras mudanças nas agências.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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