sexta-feira, 9 de outubro de 2026 · Edição diária

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Zoox lança em 17 de novembro a Ontology, IA que guarda o porquê das decisões, e mira R$ 1 bi

A Zoox apresenta a plataforma Ontology, que reúne reuniões, e-mails e sistemas para recuperar o motivo de cada decisão, e projeta R$ 1 bilhão em receita até 2031.

Executivos em reunião diante de painéis de dados
A Ontology, da Zoox, será lançada em 17 de novembro, em evento em São Paulo. Foto: Pexels / Kampus Production

A Zoox, empresa brasileira de dados, apresentou em primeira mão à EXAME, nesta sexta-feira (9), a Ontology, plataforma de inteligência artificial que busca preservar o contexto por trás das decisões tomadas dentro das companhias. O fundador e CEO, Rafael de Albuquerque, projeta que a empresa chegue a R$ 1 bilhão em receita até 2031, segundo a reportagem.

O lançamento está marcado para 17 de novembro de 2026, no evento Zoox Data Revolution, em São Paulo. A plataforma tem sido chamada de "Palantir brasileira", comparação que a própria reportagem trata como referência de mercado. A Palantir é citada como benchmark, e o produto da empresa americana que leva nome parecido é outro, de outra companhia.

O que a Ontology guarda além dos documentos

A ideia parte de um problema conhecido em qualquer organização: quando quem negociou ou decidiu sai da empresa, o registro costuma mostrar apenas o resultado. Albuquerque dá o exemplo de um contrato com prazo de 24 meses em vez de 36. O documento informa o prazo, mas o motivo da concessão some com o negociador.

Para recuperar esse raciocínio, a Ontology reúne gravações de reuniões, e-mails, ligações e sistemas corporativos, incluindo os de relacionamento com clientes. Com isso, o gestor pode perguntar como e por que algo foi decidido. A plataforma também cruza registros de profissionais diferentes, por exemplo para localizar quem tem experiência útil em um projeto novo.

Conversas informais não são apagadas: ficam em uma camada separada. O sistema ainda infere comportamentos, como ritmo de fala e participação nas reuniões, e a reportagem observa que se trata de inferência, não de medição direta. Os participantes precisam ser avisados quando uma conversa é gravada.

Uma função que permitiria a cada funcionário consultar o próprio histórico está em desenvolvimento. Albuquerque não confirmou que ela estará disponível no lançamento.

De Wi-Fi para hotéis a vertentes de dados

A Zoox começou oferecendo Wi-Fi a hotéis, fase que o CEO chama de Zoox 1.0. Depois passou a coletar, cruzar e analisar dados, e a partir de 2022 concentrou o negócio nessa área. Em 2020, a empresa captou R$ 27 milhões em rodada liderada pela HDI Seguros.

A projeção de R$ 1 bilhão em 2031 depende quase toda de dados: cerca de 95% do crescimento esperado virá de duas verticais, uma voltada a risco e outra à organização de bases de clientes. É nessa segunda que a Ontology será incorporada. A reportagem não informa número de clientes, de funcionários nem o total já captado pela empresa.

O obstáculo que o CEO aponta

Albuquerque afirmou que a Zoox vende resultado, não tecnologia, e citou metas como vender mais ou reduzir a saída de clientes. Segundo ele, a empresa entra nos clientes ajudando a vender mais. O CEO disse que as companhias perdiam o contexto de como as coisas eram feitas e que a Zoox não quer que a inteligência construída em conversas vá embora com as pessoas.

O maior desafio, de acordo com ele, é cultural. Gravar e indexar reuniões e e-mails exige que funcionários aceitem ter o raciocínio registrado, e que as empresas definam quem pode consultar o quê. Até o lançamento, o teste será convencer clientes a adotar uma ferramenta que transforma conversa cotidiana em ativo corporativo.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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