segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Zuckerberg rejeita desacelerar a IA enquanto Altman e Amodei pedem freio e a Meta promete mais bilhões

Em entrevista ao Financial Times, o presidente-executivo da Meta disse que a empresa chegou à fronteira da IA e que seguirá investindo bilhões de dólares, ao contrário de Sam Altman e Dario Amodei, que defendem ir mais devagar.

Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta
Mark Zuckerberg afirmou ao Financial Times que a Meta alcançou a fronteira da inteligência artificial e continuará investindo. Foto: Anthony Quintano from Honolulu, HI, United States / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou nesta segunda-feira (12) os pedidos para desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial e disse que a empresa vai continuar investindo bilhões de dólares para competir com OpenAI e Anthropic. A posição foi dada em entrevista ao Financial Times e relatada pelo Olhar Digital.

Segundo a reportagem, Zuckerberg afirmou que a Meta já alcançou a fronteira da tecnologia e que os sistemas podem avançar com salvaguardas, sem necessidade de pausa. Ele também evitou estimar o chamado P(doom), expressão do Vale do Silício para a probabilidade de a IA causar destruição em massa.

Um lançamento no meio da discussão sobre freio

A entrevista veio junto com o lançamento do Muse Wonder, novo modelo da Meta. A empresa descreve o objetivo como "superinteligência pessoal", voltada ao consumidor individual. Segundo Zuckerberg, concorrentes concentram esforços em trabalho intelectual e automação, enquanto a Meta prioriza o uso pessoal da IA.

Ele admitiu limites. De acordo com a matéria, os modelos atuais ainda não têm bom senso suficiente para serem assistentes pessoais ideais. Zuckerberg citou a distância entre sistemas capazes de resolver cálculos matemáticos avançados e sistemas que atendem clientes de forma confiável.

A posição contrasta com a de dois rivais. Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI, defenderam a desaceleração, segundo o Olhar Digital. Zuckerberg disse que cada laboratório deve garantir a segurança dos próprios sistemas, o que deixa a responsabilidade com as empresas e não com um regulador externo.

Da frustração com o Llama 4 à aposta bilionária

A Meta vem gastando pesado desde o ano passado, com bilhões de dólares destinados à infraestrutura de IA e à contratação de pesquisadores. O movimento seguiu o desempenho abaixo do esperado do Llama 4, lançado em abril do ano passado. Para liderar o TBD Lab, Zuckerberg contratou Alexandr Wang, fundador da Scale AI.

A matéria informa que a empresa já trabalha na etapa seguinte ao Muse Wonder, mas não detalha prazos nem valores dos novos investimentos. O Olhar Digital também não traz números de gasto da Meta, e a promessa de "mais bilhões" se apoia apenas na fala do executivo ao Financial Times.

Autorregulação como modelo

Zuckerberg teve participação importante na elaboração do Acordo sobre Superinteligência da Casa Branca, iniciativa do presidente Donald Trump que aposta na autorregulação do setor. Críticos, segundo a reportagem, consideram que o acordo fica aquém de uma estrutura global formal de governança da IA.

Para empresas e investidores que acompanham o setor, a fala indica que a corrida por capacidade continua sem trégua entre as grandes plataformas americanas, mesmo com executivos de OpenAI e Anthropic pedindo cautela. Quem contrata serviços de IA de qualquer um desses fornecedores, inclusive no Brasil, depende de regras de segurança definidas pelas próprias empresas, já que não há marco global em vigor.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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