terça-feira, 6 de outubro de 2026 · Edição diária

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Mais de 3 ferramentas de IA derrubam a produtividade, aponta estudo da BCG

Pesquisa da BCG com 1.488 trabalhadores americanos mostra ganho de produtividade até a terceira ferramenta e queda a partir da quarta; 34% dos afetados pensaram em deixar a empresa.

Profissional diante de um computador com várias janelas abertas
Estudo da BCG associa o uso de quatro ou mais ferramentas de IA a queda de produtividade e maior fadiga mental. Foto: Pexels / Nataliya Vaitkevich

Equipes que usam quatro ou mais ferramentas de inteligência artificial ao mesmo tempo produzem menos, e não mais, segundo um levantamento da Boston Consulting Group (BCG) divulgado em março de 2026 e reportado pela Exame. O fenômeno ganhou o nome de "AI Paralysis" e coloca em dúvida a estratégia de empresas que respondem à pressão por IA comprando uma ferramenta para cada tarefa.

A BCG ouviu 1.488 trabalhadores em tempo integral nos Estados Unidos. Quem usava até três ferramentas relatou ganho de produtividade. Acima disso, o desempenho caiu. Os pesquisadores chamaram o efeito de "AI brain fry", algo como fritura mental provocada pela IA.

O custo mental de supervisionar a máquina

O estudo associa a supervisão intensa de sistemas de IA a 12% mais fadiga mental e 19% mais sobrecarga de informação. Entre os trabalhadores afetados, 34% disseram ter considerado deixar a empresa. Para o gestor, o número transforma um problema de produtividade em risco de retenção de pessoal.

A lógica descrita pela reportagem é direta: a IA gera conteúdo em segundos, mas alguém precisa conferir cada resultado, em formatos diferentes e em plataformas diferentes. Quanto mais ferramentas, mais revisão, e a revisão continua sendo trabalho humano.

Investimento maior, trabalho mais difícil

Uma segunda pesquisa, da Quickbase, ouviu 2.000 profissionais de 10 setores. Segundo o levantamento, 80% das empresas aumentaram o investimento em tecnologia. Mesmo assim, mais da metade dos respondentes disse ter mais dificuldade para manter a produtividade.

A Quickbase atribui parte do problema ao que chama de "gray work", o trabalho manual que as pessoas fazem para compensar sistemas que não se conversam. Copiar dados de uma ferramenta para outra e reconciliar resultados são exemplos desse tipo de tarefa.

A Exame aponta três origens para a paralisia: funções que se sobrepõem entre ferramentas, o que deixa o profissional sem critério para escolher; revisão sem fim do que a IA produz; e treinamento insuficiente, já que a tecnologia chega às equipes sem preparo.

O que as empresas podem fazer agora

As recomendações listadas na reportagem são operacionais. Limitar o número de ferramentas ativas por profissional, eliminar soluções redundantes e definir qual ferramenta atende a qual tarefa. Também aparecem a criação de protocolos claros de dados e de revisão e a medição do efeito real sobre a produtividade.

O último ponto pesa para quem decide orçamento. Se a empresa não mede o resultado, não distingue o time que ganhou eficiência com três ferramentas do time que perdeu horas com seis. O corte de licenças redundantes, nesse caso, reduz custo e pode devolver produtividade ao mesmo tempo.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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