A Bolsa brasileira subiu, o dólar caiu e os juros futuros recuaram na sessão seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, mas o ajuste fiscal prometido pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda não tem detalhamento suficiente para sustentar essa aposta do mercado, de acordo com reportagem publicada pelo Money Times neste sábado (10).
Parte dos investidores passou a precificar não só a vitória do senador no segundo turno, mas também uma mudança na condução da política econômica, segundo a reportagem. O movimento ocorreu mesmo sem a equipe econômica do PL ter apresentado uma lista fechada das despesas que seriam cortadas.
O que a campanha promete
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que coordena o plano econômico de Flávio, defende um ajuste fiscal apoiado em combate a desperdícios, redução do número de ministérios e venda de ativos públicos, sem reduzir benefícios sociais, de acordo com o Money Times. O ex-ministro Adolfo Sachsida, assessor econômico da campanha, afirmou que o programa não vai reduzir o Bolsa Família nem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e que os dois programas serão fortalecidos.
Flávio Bolsonaro disse que manterá reajustes acima da inflação para os aposentados e defende melhorar o valor do Bolsa Família. As declarações tentam conciliar o discurso de corte de gastos com a manutenção de programas sociais que respondem por parcela relevante do orçamento federal.
Os R$ 250 bilhões sem destino definido
A economista Tatiana Pinheiro, da FGV, disse que a campanha fala em um ajuste entre R$ 200 bilhões e R$ 250 bilhões, mas não deixou claro quais despesas específicas seriam reduzidas para alcançar esse valor, segundo o Money Times. A economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, afirmou haver um distanciamento entre os objetivos anunciados pela campanha e as ferramentas apresentadas para executá-los.
O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, disse que as medidas apresentadas até agora são cosméticas e teriam pouco impacto fiscal efetivo. André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital, afirmou que não seria surpreendente se, depois de uma eventual vitória de Flávio, a Bolsa caísse e os juros futuros subissem, movimento inverso ao observado nos dias seguintes ao primeiro turno.
Quem paga a conta se o corte não aparecer
Se o próximo governo não apresentar um plano de corte de gastos compatível com a expectativa já embutida nos preços de mercado, a reversão da alta da Bolsa e da queda do dólar tende a recair sobre o custo de financiamento do governo e das empresas, já que os juros futuros embutem parte da confiança nesse ajuste. Até a publicação da reportagem do Money Times, a campanha de Flávio Bolsonaro não havia divulgado um documento formal com a lista de cortes necessários para fechar as contas dentro do valor citado pelos economistas.



