As propostas econômicas de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) divergem sobre como conduzir as contas públicas, os impostos e as relações de trabalho, segundo levantamento publicado nesta sexta-feira (16) pela Agência Brasil. O ponto de partida é parecido: as duas campanhas reconhecem que será preciso enfrentar o desequilíbrio fiscal. O caminho é que muda.
O que cada campanha promete para as contas públicas
Lula defende manter o arcabouço fiscal, controlar o crescimento das despesas e buscar melhor resultado das contas com crescimento da economia. Na tributação, quer aprofundar o modelo progressivo, com maior contribuição das rendas mais altas.
Flávio propõe uma nova regra fiscal, com limites de despesa vinculados à trajetória da dívida. Também fala em reduzir ministérios, cargos comissionados e gastos administrativos, além de cortar tributos e encargos das empresas.
Em agosto, em entrevista à GloboNews, Daniella Marques, coordenadora da equipe econômica de Flávio, afirmou que o plano prevê ajuste de 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, com base no PIB de 2025. A Agência Brasil registra que o detalhamento dos cortes ainda não foi esclarecido.
Trabalho, investimento e programas sociais
No trabalho, Lula quer manter a valorização real do salário mínimo e defende a jornada semanal de 40 horas, sem redução de salário. Flávio propõe modalidades de contratação de menor custo para empregadores em certos grupos etários.
Lula também promete ampliar investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável, além de dar continuidade ao Novo PAC. Flávio prioriza, no agronegócio, logística, armazenamento de safras, seguro rural e produção nacional de fertilizantes.
Sobre programas sociais, a equipe de Flávio diz que mantém Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular. Em 9 de outubro, o próprio candidato negou que acabaria com esses programas. Lula promete manter o Bolsa Família e expandir ações de habitação e combate à fome.
O que os números dos governos mostram
A Agência Brasil compara os períodos. No governo de Jair Bolsonaro (2019 a 2022), o PIB cresceu em média cerca de 1,4% ao ano, e a dívida bruta ficou em torno de 72% do PIB ao fim de 2022, com adiamento de precatórios. No terceiro mandato de Lula (2023 a 2025), o crescimento médio foi de cerca de 2,9% ao ano, segundo dados revisados. O desemprego foi de 5,6% em 2025, de acordo com o IBGE, e a dívida pública chegou a 82,9% do PIB em agosto de 2026.
A própria reportagem faz a ressalva de que a comparação deve considerar pandemia, ambiente internacional, juros e as medidas adotadas em cada período.
O que o eleitor deve cobrar até a votação
O ponto em aberto está na proposta de Flávio: um ajuste de R$ 190 bilhões sem lista pública de cortes deixa sem resposta quais despesas seriam reduzidas. Do lado de Lula, a aposta em crescimento e em maior tributação das rendas altas depende de aprovação no Congresso e de a economia entregar o resultado esperado. O segundo turno decide qual das duas apostas orienta o Orçamento de 2027.



