Um estudo interno da Anthropic, divulgado pela própria empresa, indica que seus agentes de inteligência artificial já trabalham seis horas para cada hora de um funcionário humano. O dado foi discutido nesta quinta-feira (29) no programa Prime Time, da CNN Brasil, com o especialista em IA e colunista da emissora Álvaro Machado Dias.
Segundo a CNN Brasil, o avanço vem acompanhado de uma queda nas contratações. O texto cita recuo de 9% nas vagas do setor de tecnologia e afirma que o movimento tende a se espalhar para o mercado em geral, sobretudo nas economias mais avançadas. A reportagem não detalha a metodologia do estudo da Anthropic nem o período que ele cobre.
O que o trabalhador passa a fazer
Para Machado Dias, o perfil das contratações está mudando e isso atinge todos os departamentos. Marketing, por exemplo, já não funciona como funcionava há dois anos, de acordo com o especialista. Ele descreve o novo trabalhador como alguém que faz o que antes era função do chefe: escreve planos para a IA executar, confere os resultados e decide se dá para avançar ou se é preciso ajustar.
A consequência recai sobre quem está começando. Segundo Machado Dias, profissionais iniciantes perdem espaço para candidatos que já chegam com habilidades técnicas aplicáveis aos fluxos de trabalho com IA. A CNN Brasil registra ainda uma frase que circula no Vale do Silício: o ser humano se tornou o novo gargalo.
Metade das empresas brasileiras já usa IA
No Brasil, 50% das empresas já usam inteligência artificial, segundo o texto, e a expectativa é de crescimento acelerado. Machado Dias citou como exemplos a análise de crédito em bancos, o preenchimento de declarações de imposto de renda em escritórios de contabilidade e o atendimento por WhatsApp com checagem de estoque em lojas.
Sobre a velocidade com que o efeito observado nas empresas de tecnologia chegará ao restante da economia brasileira, o especialista afirmou que, uma hora, isso chega aqui. Não há, na reportagem, projeção de prazo ou de número de vagas afetadas no país.
O risco de mandar sem conferir
O próprio especialista aponta o lado negativo do ganho de escala. Segundo ele, a desconfiança em relação à IA surge porque muita gente está enviando trabalho ao mundo sem checar, e a tendência é que as entregas saiam com menos revisão e em maior volume. Mais volume e mais velocidade trazem mais incerteza e mais risco, disse, ainda que a produtividade total cresça de forma considerável.
Na prática, o dado da Anthropic é de uma empresa que vende agentes de IA e mede o próprio produto, o que pede cautela na leitura. Para o empregador brasileiro, o ponto concreto está na função de conferência: quem planeja e revisa o trabalho das máquinas passa a ser o profissional mais valorizado nas contratações, e quem depende de tarefas de entrada na carreira é o mais exposto.



