quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Agentes da Anthropic trabalham 6 horas para cada hora humana, e contratações em tecnologia caem 9%

Estudo interno da Anthropic indica que seus agentes de IA já produzem seis horas de trabalho para cada hora de um funcionário humano. Em paralelo, as contratações no setor de tecnologia recuaram 9%, e metade das empresas brasileiras já usa a tecnologia.

Profissional diante de telas em escritório, trabalhando com ferramentas de inteligência artificial
Agentes de IA já assumem tarefas operacionais em empresas, e o papel humano passa a ser planejar e conferir. Foto: Pexels / cottonbro studio

Um estudo interno da Anthropic, divulgado pela própria empresa, indica que seus agentes de inteligência artificial já trabalham seis horas para cada hora de um funcionário humano. O dado foi discutido nesta quinta-feira (29) no programa Prime Time, da CNN Brasil, com o especialista em IA e colunista da emissora Álvaro Machado Dias.

Segundo a CNN Brasil, o avanço vem acompanhado de uma queda nas contratações. O texto cita recuo de 9% nas vagas do setor de tecnologia e afirma que o movimento tende a se espalhar para o mercado em geral, sobretudo nas economias mais avançadas. A reportagem não detalha a metodologia do estudo da Anthropic nem o período que ele cobre.

O que o trabalhador passa a fazer

Para Machado Dias, o perfil das contratações está mudando e isso atinge todos os departamentos. Marketing, por exemplo, já não funciona como funcionava há dois anos, de acordo com o especialista. Ele descreve o novo trabalhador como alguém que faz o que antes era função do chefe: escreve planos para a IA executar, confere os resultados e decide se dá para avançar ou se é preciso ajustar.

A consequência recai sobre quem está começando. Segundo Machado Dias, profissionais iniciantes perdem espaço para candidatos que já chegam com habilidades técnicas aplicáveis aos fluxos de trabalho com IA. A CNN Brasil registra ainda uma frase que circula no Vale do Silício: o ser humano se tornou o novo gargalo.

Metade das empresas brasileiras já usa IA

No Brasil, 50% das empresas já usam inteligência artificial, segundo o texto, e a expectativa é de crescimento acelerado. Machado Dias citou como exemplos a análise de crédito em bancos, o preenchimento de declarações de imposto de renda em escritórios de contabilidade e o atendimento por WhatsApp com checagem de estoque em lojas.

Sobre a velocidade com que o efeito observado nas empresas de tecnologia chegará ao restante da economia brasileira, o especialista afirmou que, uma hora, isso chega aqui. Não há, na reportagem, projeção de prazo ou de número de vagas afetadas no país.

O risco de mandar sem conferir

O próprio especialista aponta o lado negativo do ganho de escala. Segundo ele, a desconfiança em relação à IA surge porque muita gente está enviando trabalho ao mundo sem checar, e a tendência é que as entregas saiam com menos revisão e em maior volume. Mais volume e mais velocidade trazem mais incerteza e mais risco, disse, ainda que a produtividade total cresça de forma considerável.

Na prática, o dado da Anthropic é de uma empresa que vende agentes de IA e mede o próprio produto, o que pede cautela na leitura. Para o empregador brasileiro, o ponto concreto está na função de conferência: quem planeja e revisa o trabalho das máquinas passa a ser o profissional mais valorizado nas contratações, e quem depende de tarefas de entrada na carreira é o mais exposto.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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