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Alphabet cai 11,5% e perde US$ 500 bi após o Google admitir que o Modo IA corrói a busca

As ações da Alphabet recuaram 11,5% na Nasdaq na manhã desta quinta-feira (29), uma perda de cerca de US$ 500 bilhões, depois que a receita de busca cresceu 12% e ficou abaixo do esperado.

Fachada com o logotipo do Google em sede da empresa
O Google, controlado pela Alphabet, viu a ação cair 11,5% na Nasdaq após o balanço do terceiro trimestre. Foto: Pexels / Ann H

As ações da Alphabet, dona do Google, caíam cerca de 11,5% na Nasdaq por volta das 11h30 (horário local) desta quinta-feira, 29 de outubro, um dia depois do balanço do terceiro trimestre, segundo a NeoFeed. A queda equivalia a uma perda de aproximadamente US$ 500 bilhões em valor de mercado, descrita pelo veículo como recorde. Em relação ao que o Real Nacional já publicou sobre o balanço, o fato novo é a reação da bolsa e a admissão do Google de que as respostas do Modo IA prejudicam a busca tradicional.

Se o recuo persistisse até o fechamento, seria a segunda maior perda diária da história de Wall Street, atrás dos US$ 593 bilhões da Nvidia em janeiro de 2025, de acordo com a NeoFeed. O valor de mercado da Alphabet é de US$ 3,5 trilhões. No ano, os papéis acumulam desvalorização de 8%, e em 12 meses a alta é de 4,8%.

O que o balanço mostrou

A receita total foi de US$ 127,6 bilhões, alta de 25% e ligeiramente abaixo da média das projeções compiladas pela FactSet. O lucro líquido somou US$ 26,2 bilhões, queda de 25% e bem abaixo dos US$ 37,3 bilhões esperados. A NeoFeed atribui parte da diferença a mudanças no valor de investimentos, entre eles uma participação na SpaceX.

A receita de busca, a divisão de publicidade, chegou a US$ 63,4 bilhões, com alta de 12% e abaixo da estimativa de US$ 64,9 bilhões. No início do ano, esse crescimento era de quase 20%. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões, o segundo trimestre no vermelho desde a abertura de capital, em 2004.

A admissão sobre o Modo IA

O ponto que mais pesou, segundo a reportagem, foi a fala do executivo Philipp Schindler. Ele reconheceu que as consultas no Modo IA, que devolvem respostas em texto conversacional em vez de uma lista de links, prejudicam a busca tradicional e reduzem a monetização por anúncios. Menos links na tela significa menos espaço para o anúncio que sustenta a maior parte do negócio.

David Wagner, da Aptus Capital Advisors, afirmou: "É na busca que está a preocupação". A nuvem, por outro lado, dobrou a receita para US$ 30,7 bilhões, com demanda por serviços de IA e venda de capacidade computacional a concorrentes como a Anthropic.

A conta de US$ 205 bilhões em IA

O gasto com IA no trimestre foi de US$ 51,3 bilhões, ante US$ 44,9 bilhões no segundo. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, disse que o capex pode chegar a US$ 205 bilhões neste ano, o que implicaria cerca de US$ 73,1 bilhões no quarto trimestre. Os compromissos futuros superam US$ 1 trilhão em data centers, equipamentos, energia e outras obrigações.

Para bancar esse ritmo, a Alphabet planeja levantar cerca de US$ 85 bilhões em sua primeira emissão de ações em mais de duas décadas, anunciada em junho. Para o investidor, a combinação pesa: a atividade que financia o investimento cresce menos, enquanto a despesa sobe e o caixa livre fica negativo.

A comparação com a Microsoft explica parte da reação. Na quarta-feira, as ações da empresa subiram 4% após resultados acima das estimativas, com capex de US$ 45,2 bilhões e fluxo de caixa livre de US$ 18,6 bilhões. Dec Mullarkey, da SLC Management, disse que "os mercados estão calibrando cuidadosamente o equilíbrio entre capex e fluxo de caixa livre". Na quinta, a Microsoft recuava 1,3% às 11h30, depois de abrir em alta de 1%.

Para anunciantes e empresas que dependem de tráfego do Google, o dado a acompanhar é a receita de busca nos próximos balanços. Se o Modo IA seguir tirando cliques dos links, o canal de aquisição que muitos negócios brasileiros usam fica mais caro ou menos previsível.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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