A Anthropic, de Dario Amodei, publicou nesta quinta-feira (10) um relatório de inteligência de ameaça que acusa laboratórios da China de minerar o Claude em escala industrial. O texto, repercutido pelo TechCrunch, fala em quase 200 milhões de trocas ligadas a ataques de destilação. O alvo era o raciocínio interno do modelo, o encadeamento de pensamento que a casa não mostra ao usuário.
A campanha atribuída à Alibaba, dona da família Qwen, foi a maior que a Anthropic já mediu. Entre maio e julho, 151 milhões de trocas, pico de quase 3 milhões por dia, espalhadas por 3.500 contas. Um prompt fixo forçava o Claude a despejar o raciocínio em texto antes da resposta. Esse material, segundo o relatório, alimentou o treino do Qwen 3.5, 3.6 e 3.7.
A Moonshot AI, fabricante do Kimi, aparece em outro capítulo. A Anthropic diz que a empresa encaminhou pedidos de clientes ao Claude e devolveu a resposta como se fosse do próprio Kimi. Em dez dias, quase 300 mil requisições, a maior parte no Opus, por uma rede de 5.380 contas. Um desses usuários, avaliado como ligado ao Exército de Libertação Popular, pediu análise de câmeras de Chengdu para ver se o alvo "se comportava de forma anormal".
A DeepSeek usou o mesmo truque de replay entre sessões para extrair o raciocínio bruto do Opus. Xiaomi também entra na lista, reenviando conversas de código do MiMo. A destilação ilícita, no jargão da casa, é campanha encoberta para copiar capacidade de um modelo de fronteira sem autorização, em geral com contas falsas, cartão roubado e chave de API de terceiros.
Amodei já tinha falado do tema em fevereiro. O relatório de setembro muda a escala e os nomes. Alibaba, Moonshot e DeepSeek não responderam na cobertura desta quinta. A Anthropic diz que baniu as contas, reforçou os classificadores e avisou autoridades.



