A Anthropic divulgou nesta segunda-feira (28) o prospecto de seu IPO e informou prejuízo líquido de US$ 42 bilhões em 2025, além de obrigações de US$ 518 bilhões com nuvem, computação e infraestrutura, segundo a CNN Brasil. Os documentos detalham a estratégia da empresa de Dario Amodei e o peso dos custos de IA sobre as contas.
A receita de 2025 ficou em quase US$ 4,6 bilhões, alta de 12 vezes sobre o ano anterior, de acordo com o material citado pela emissora. É o crescimento que sustenta a expectativa de valuation acima de US$ 2 trilhões na abertura de capital. Em maio, a empresa havia sido avaliada em US$ 965 bilhões.
De onde vem o prejuízo de US$ 42 bilhões
O número chama atenção, mas a maior parte não é caixa que saiu da empresa. Segundo a CNN Brasil, cerca de US$ 34 bilhões correspondem a uma despesa contábil ligada a um financiamento conversível. Sem essa baixa, o prejuízo operacional passou de US$ 8 bilhões em 2025.
As despesas operacionais somaram US$ 12,65 bilhões. Só computação e infraestrutura consumiram US$ 7,33 bilhões, o triplo do gasto de 2024 e mais da metade do total. Em 31 de dezembro, a Anthropic tinha US$ 20,28 bilhões em caixa, equivalentes e investimentos.
Os US$ 518 bilhões e a concentração de clientes
O compromisso de US$ 518 bilhões com nuvem, computação e infraestrutura é o item que mais pesa sobre os investidores. O valor é mais de 25 vezes o caixa reportado no fim de 2025, o que deixa a empresa dependente de receita crescente e de novos aportes para honrar os contratos.
O prospecto também aponta risco de concentração: quase um quarto da receita do ano passado veio de dois clientes, de acordo com a CNN Brasil. Muitos dos maiores clientes não têm contratos de longo prazo, e podem trocar de fornecedor sem multa.
O que o IPO muda para quem investe
A oferta está prevista para depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro de 2026. A Anthropic lançou o modelo Opus 5.5 na semana anterior à divulgação do prospecto, e a rival OpenAI tem IPO esperado para o início de 2027.
Quem comprar ações vai pagar por uma empresa que cresce 12 vezes ao ano, mas que assumiu obrigações de infraestrutura muito maiores que sua receita atual. O retorno depende de a demanda por IA seguir no ritmo que a empresa projeta nos documentos, e de os clientes concentrados renovarem sem contrato de longo prazo.



