domingo, 13 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Arison, do Grindr, manda time largar Anthropic após alerta de extinção

O CEO disse à BBC neste domingo que os recados de Coxon e da Anthropic são perigosos e de visão anticivilizacional. Mandou engenheiros pararem de usar a tecnologia da casa.

George Arison, CEO do Grindr, fala em palco.
George Arison, CEO do Grindr: à BBC, neste domingo, classificou os alertas de extinção da Anthropic como perigosos e mandou o time largar a ferramenta. Foto: Eóin Noonan / Web Summit via Sportsfile (CC BY 2.0)

George Arison, CEO do Grindr, disse à BBC neste domingo (13) que os alertas de extinção vindos da Anthropic são perigosos e revelam uma "visão anticivilizacional". Em São Francisco, no conferência do Goldman Sachs, mandou engenheiros do app de namoro LGBTQ+ pararem de usar a tecnologia da casa. "É irresponsável, como gestores do dinheiro dos acionistas, depender de um negócio que faz o que essa empresa faz nas declarações públicas."

A fala cai menos de uma hora depois da reportagem de Lily Jamali, correspondente de tecnologia da BBC na América do Norte. Arison reagiu à demissão de Jacob Coxon, o pesquisador de 27 anos que passou pela OpenAI e pela Anthropic e disse que quem constrói IA está "apostando com nossas vidas". No mesmo circuito, Jensen Huang, da Nvidia, descartou o recado de Coxon como mentira, segundo gente na plateia. Huang já chamou a tese de fim da humanidade de "completo nonsense".

Arison abriu duas leituras. Ou a Anthropic acredita mesmo no risco. Ou infla o alarme para justificar valuation: a casa foi avaliada em US$ 965 bilhões na última rodada. "A única forma de justificar esses números é afirmar: vou tomar cada indústria, cada emprego, e a minha IA vai fazer todo esse trabalho." Clement Delangue, do Hugging Face, foi na mesma linha no X: perguntar a Coxon sobre extinção é como perguntar ao cara do ar-condicionado sobre clima.

Do outro lado do palco, o senador Bernie Sanders disse ao Newsnight da BBC que seria "imbecil" não pisar no freio se cientistas falam em impacto cataclísmico. Donald Trump, perguntado se teme extinção por IA, respondeu: "Não. Tenho preocupação de que, se não ganharmos a IA, ficamos numa posição muito ruim. Estamos na frente da China." Sid Sheth, CEO da d-Matrix, que fechou acordo com a Nvidia no mesmo hotel, foi direto: não, o mundo não está acabando.

A Anthropic não respondeu à BBC até o fechamento. O recado de Arison é o primeiro corte corporativo explícito depois da farra de avisos desta semana.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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