George Arison, CEO do Grindr, disse à BBC neste domingo (13) que os alertas de extinção vindos da Anthropic são perigosos e revelam uma "visão anticivilizacional". Em São Francisco, no conferência do Goldman Sachs, mandou engenheiros do app de namoro LGBTQ+ pararem de usar a tecnologia da casa. "É irresponsável, como gestores do dinheiro dos acionistas, depender de um negócio que faz o que essa empresa faz nas declarações públicas."
A fala cai menos de uma hora depois da reportagem de Lily Jamali, correspondente de tecnologia da BBC na América do Norte. Arison reagiu à demissão de Jacob Coxon, o pesquisador de 27 anos que passou pela OpenAI e pela Anthropic e disse que quem constrói IA está "apostando com nossas vidas". No mesmo circuito, Jensen Huang, da Nvidia, descartou o recado de Coxon como mentira, segundo gente na plateia. Huang já chamou a tese de fim da humanidade de "completo nonsense".
Arison abriu duas leituras. Ou a Anthropic acredita mesmo no risco. Ou infla o alarme para justificar valuation: a casa foi avaliada em US$ 965 bilhões na última rodada. "A única forma de justificar esses números é afirmar: vou tomar cada indústria, cada emprego, e a minha IA vai fazer todo esse trabalho." Clement Delangue, do Hugging Face, foi na mesma linha no X: perguntar a Coxon sobre extinção é como perguntar ao cara do ar-condicionado sobre clima.
Do outro lado do palco, o senador Bernie Sanders disse ao Newsnight da BBC que seria "imbecil" não pisar no freio se cientistas falam em impacto cataclísmico. Donald Trump, perguntado se teme extinção por IA, respondeu: "Não. Tenho preocupação de que, se não ganharmos a IA, ficamos numa posição muito ruim. Estamos na frente da China." Sid Sheth, CEO da d-Matrix, que fechou acordo com a Nvidia no mesmo hotel, foi direto: não, o mundo não está acabando.
A Anthropic não respondeu à BBC até o fechamento. O recado de Arison é o primeiro corte corporativo explícito depois da farra de avisos desta semana.



