sábado, 12 de setembro de 2026 · Edição diária

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EPA de Zeldin afrouxa regra e data center de IA polui mais, dizem ex-agentes

Um relatório da Environmental Protection Network lista 30 ações federais desde janeiro de 2025. A Verge publicou neste sábado, às 14h41 UTC.

Lee Zeldin, administrador da EPA dos Estados Unidos, em retrato oficial.
Lee Zeldin, administrador da EPA: ex-agentes da casa afirmam que o afrouxamento de regras acelera data center de IA à custa da saúde. Foto: EPA / Wikimedia Commons

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, comandada por Lee Zeldin, está enfraquecendo regras ambientais para acelerar data center de inteligência artificial, com risco à saúde, segundo um grupo de ex-funcionários da própria EPA. O The Verge publicou neste sábado (12), às 14h41 UTC, a partir de um briefing e de um relatório da Environmental Protection Network. Os autores pedem, talvez em vão, que o presidente Trump adote um "Data Center Health Protection Pledge".

No começo do mandato, Zeldin proclamou o objetivo de tornar a América "a capital da IA do mundo" via desregulação. Desde então, a Casa Branca e a EPA recuaram dezenas de normas, cortaram quadro e orçamento. O resultado, dizem os ex-agentes, é uma onda de data center alimentada por energia suja, que atinge quem nem mora perto da instalação. Lynn Goldman, pediatra e ex-assistente da EPA, foi direta no briefing: numa obra desse tamanho, anunciada como revolução, a agência deveria vigiar mais. "Faz o contrário. Pensa primeiro na indústria e enfraquece limite de químico tóxico e poluente."

O relatório identifica 30 ações federais desde janeiro de 2025 que agravam o risco. Dezessete citam IA ou miram data center. Inclui o AI Action Plan de julho de 2025, que recomenda "simplificar ou reduzir" regulação sob o Clean Air Act, o Clean Water Act e a lei Superfund para acelerar o licenciamento. Tyson Slocum, da Public Citizen, descreveu o plano como uso inédito de poder de emergência para isentar data center e infraestrutura fóssil. A demanda por chip também revive a produção de "forever chemicals", que não se decompõem e se acumulam no corpo.

Goldman lembrou que não é preciso morar ao lado do galpão. A poluição não sai só dali. Um estudo da UC Riverside, Caltech e Rochester Institute of Technology, citado no relatório, estima até 1.300 mortes prematuras e mais de US$ 20 bilhões em custo de saúde até 2028, associados à poluição da IA. Com as mudanças de política, o saldo pode ser maior. A porta-voz da EPA, Cora Mandy, disse à Verge que cada ação devolve a regulação à "melhor leitura" do Clean Air Act, depois de anos de excesso, e reiterou o compromisso de proteger a saúde e, ao mesmo tempo, tornar a América a capital da IA.

Marc Boom, da EPN, fechou o recado: um buildout mais sujo não é inevitável. Depende da escolha do governo agora. A EPA deveria medir como a obra muda a poluição, quem se expõe, o que isso faz à saúde, e publicar. É o que um pledge de proteção deveria significar na prática.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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