sábado, 24 de outubro de 2026 · Edição diária

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Astella prepara sexto fundo 100% de IA com cheques de até US$ 7 milhões

A gestora planeja um fundo entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões dedicado só a inteligência artificial, e o sócio-fundador Edson Rigonatti afirma que a maior carência das startups brasileiras é técnica de vendas, mais do que tecnologia.

Reunião de investidores avaliando startups de inteligência artificial
A Astella planeja lançar ainda em 2026 um sexto fundo dedicado só a startups de inteligência artificial, segundo o InfoMoney. Foto: Pexels

A gestora de venture capital Astella prepara o lançamento do sexto fundo da casa, dedicado totalmente a startups de inteligência artificial, com captação estimada entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, segundo reportagem do InfoMoney publicada neste sábado (24). O fundo deve sair ainda em 2026, de acordo com o sócio-fundador Edson Rigonatti.

Fundada em 2008, a Astella administra hoje o fundo Journey V, que já realizou 13 investimentos. O sexto fundo prevê um portfólio de 15 a 20 startups e marca a primeira vez que a gestora destina a totalidade de um veículo exclusivamente a negócios de inteligência artificial.

Os três alvos do sexto fundo

Rigonatti afirmou ao InfoMoney que o novo fundo vai mirar três frentes: software nativo em inteligência artificial, venda de serviços estruturados com uso de IA e embedded finance. Os cheques variam conforme o estágio da empresa: entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões para rodadas seed, e entre US$ 5 milhões e US$ 7 milhões para séries A.

A transição também aparece no portfólio atual. Segundo o investidor, metade das startups do Journey V ainda segue uma lógica de negócio tradicional, enquanto a outra metade já opera com arquitetura nativa em inteligência artificial, sem os processos manuais que caracterizavam empresas de software antes da geração atual de modelos de IA.

A venda como gargalo do crescimento

Para Rigonatti, o obstáculo que impede mais startups brasileiras de crescer está fora da tecnologia. Segundo o InfoMoney, o investidor resumiu sua posição em uma frase:

De acordo com Rigonatti, falta ao mercado brasileiro conhecimento sobre o que ele chama de ciência das vendas, disciplina que empresas americanas tratam com métricas e ferramentas estruturadas. No Brasil, segundo o investidor, o processo comercial costuma depender do esforço individual de vendedores e fundadores. Ele citou Omie, Resultados Digitais e Sallve como exemplos de startups brasileiras que alcançaram maturidade comercial, combinando produto com estrutura de vendas organizada, segundo o InfoMoney.

O tamanho do cheque que decide quem recebe aporte

Os valores informados por Rigonatti definem o filtro de seleção do próximo fundo: startups em estágio seed vão disputar cheques de até US$ 4 milhões, e empresas em série A podem receber até US$ 7 milhões, dentro de um total de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões a distribuir entre 15 e 20 negócios. Pelas contas informadas, a concentração em um número limitado de vagas no portfólio favorece empresas com modelo de receita já validado em inteligência artificial, em detrimento de projetos ainda em fase de prova de conceito.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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