Os grandes bancos do mundo liberaram o uso de IA sem teto e agora tentam conter a conta, de acordo com reportagem da Bloomberg publicada neste sábado (24) pelo InfoMoney. O JPMorgan, por exemplo, fixou um limite mensal de US$ 2 mil no Claude Code, da Anthropic, para alguns engenheiros, segundo o Business Insider.
A medida contrasta com o que o próprio banco admitia em junho. Zachery Anderson, diretor de dados e análises da área de pagamentos, disse ao Semafor que alguns funcionários gastavam mais com tokens do que recebiam de salário, e que o banco não racionava o uso. O CFO Jeremy Barnum afirmou que o gasto anual com IA gira em torno de US$ 700 milhões, mas que um número exato é difícil porque a tecnologia está espalhada por toda a instituição.
Retorno que quase ninguém mostra
Segundo a Evident, empresa que faz benchmarking de IA, apenas 12 dos 50 maiores bancos globais atribuíram publicamente retornos projetados ou realizados à tecnologia. A IA agêntica, em que sistemas executam tarefas em várias etapas, aparece como o maior motor de custo, porque consome muitos tokens e tem consumo difícil de prever.
Bhavi Mehta, sócio da Bain & Co. e líder global de análises avançadas em serviços financeiros, disse que ninguém dentro dos bancos tem bom controle sobre o custo de cada nova aplicação. Os números da Evident sugerem recuo na ambição: os bancos americanos anunciaram 19 casos de uso de IA agêntica no primeiro trimestre de 2026, contra 8 no trimestre anterior, e o total caiu pela metade no segundo.
Como cada banco tenta cortar
O Santander usa modelos de fronteira só para validar aplicações e depois migra as cargas comprovadas para modelos mais leves. Segundo Ignacio Bernal, diretor de IA do banco, o custo de cada processo de aprovação de empréstimo caiu de cerca de €5 para €0,03.
No CIBC, do Canadá, os modelos mais potentes, entre eles o Opus da Anthropic, podem custar C$ 3 mil por funcionário ao mês. O banco restringiu o acesso a algumas centenas de pessoas e limitou o workspace CAI 2.0, ainda em teste, a 250 usuários. O BNP Paribas só aprova um projeto de IA depois de calcular o custo operacional: a plataforma interna define um preço por token e o multiplica pelo volume esperado. O Deutsche Bank redirecionou usuários de consumo anormalmente alto e testou tarefas em modelos menores e especializados, o que reduziu custos várias vezes.
Um engenheiro de um grande banco europeu, identificado só como Alex, recebeu em fevereiro a ordem de cortar gastos depois de uma fatura de €80 mil gerada por um chatbot instalado em milhares de fluxos de trabalho. Ele guardou em cache respostas a perguntas frequentes, mandou pedidos simples a modelos de código aberto e reservou os modelos premium para pesquisa profunda. A conta caiu cerca de um terço.
Quem paga a conta e o que vem depois
Para J.R. Storment, diretor executivo da Tokenomics Foundation, os bancos levaram pelo menos cinco anos para controlar os custos de nuvem. Com IA, os diretores financeiros reagem a picos de gasto entre 6 e 18 meses após a adoção. A fundação, que reúne JPMorgan, BNY Mellon, KPMG e Google Cloud, foi criada para padronizar o rastreamento desses custos.
Nitin Madan, ex-CFO de operações do Barclays na Índia, disse que gasto com IA não pode ser diluído em vários anos como o de software e atinge o lucro imediatamente. Para quem contrata, o assunto já entrou na conversa: num banco asiático não identificado, candidatos a vaga de desenvolvedor perguntam pelo orçamento de tokens junto com o salário. Reguladores também acompanham o tema: o supervisor bancário do Canadá pediu padrões mínimos para o uso de modelos de fronteira.



