A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, perdeu US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 33,7 bilhões) num ataque hacker, e o presidente americano Donald Trump disse nesta sexta-feira (30) que os Estados Unidos investigam se hackers da Coreia do Norte estão por trás da invasão. "Estamos investigando", afirmou Trump a jornalistas na Casa Branca, segundo o g1, ao ser questionado sobre a atribuição do ataque.
A suspeita sobre Pyongyang parte de analistas, não de uma conclusão oficial. De acordo com o Olhar Digital, a TRM Labs, empresa americana de análise de blockchain, afirmou que os invasores atingiram carteiras da Binance em 10 redes diferentes e transferiram a maior parte dos fundos em cerca de 20 minutos. A empresa apontou semelhanças técnicas com roubos atribuídos à Coreia do Norte, entre eles o ataque à corretora Bybit em 2025, que o FBI atribuiu ao país.
A Chainalysis, também de análise de blockchain, disse que ainda não consegue confirmar a causa da invasão. Até as 21h30 (horário de Brasília), a empresa havia identificado pelo menos US$ 5,912 bilhões em ativos roubados. A matéria do Olhar Digital não informa que a Binance tenha atribuído o ataque a algum país.
Como a invasão teria começado
Uma investigação inicial da própria Binance indicou que o ataque pode ter começado com o comprometimento do computador de um engenheiro. Com esse acesso, o invasor teria alcançado um dos sistemas da corretora e feito saques não autorizados. Mark Karpeles, ex-chefe da corretora Mt. Gox, disse à Reuters que os ativos da Binance parecem distribuídos entre sistemas diferentes e que o invasor pode ter obtido autorização válida para movimentar recursos, talvez até uma chave privada.
A Binance afirmou que trabalhou com parceiros para bloquear os fundos afetados e localizou cerca de US$ 3 bilhões. Yi He, cofundadora da corretora, disse que a empresa cobrirá todas as perdas. Segundo a empresa, os depósitos dos usuários não foram afetados e os saques devem voltar em até 48 horas. A Binance mantém um fundo de proteção aos clientes composto inteiramente por Bitcoin.
Quem congelou o dinheiro roubado
Outras empresas do setor entraram na caça aos recursos. A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão em ativos ligados ao incidente, a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões e a Ripple, cerca de US$ 200 milhões. A World Liberty Financial, empresa ligada à família de Trump, trabalhou com a custodiante BitGo e congelou US$ 27 milhões em stablecoins e cerca de US$ 2 milhões em tokens próprios, segundo Yi He.
O mercado reagiu na hora. O Bitcoin recuou mais de 3% e chegou a US$ 76.368, a mínima de seis semanas, e o Ether caiu mais de 3%, para US$ 2.178. As ações da Coinbase perderam 4,8%, e as da Strategy recuaram quase 6% nas negociações estendidas nos EUA.
O risco de deixar cripto na corretora
Analistas ouvidos pela Reuters veem efeito além do preço. Kenneth Goh, da UOB Kay Hian, disse que o ataque deve levar investidores a olhar com mais atenção a custódia dos ativos e a responsabilidade das plataformas por falhas de segurança. Tim Sun, do HashKey Group, afirmou que uma interrupção nos depósitos e saques da Binance pode atrapalhar a movimentação de capital entre plataformas e atingir os formadores de mercado.
Damon Xu, fundador da 1Token, prevê menos operações simultâneas em várias corretoras e menos alavancagem, com possível migração de capital para plataformas descentralizadas. Para o investidor brasileiro, a Binance disse que os clientes do país não foram afetados e que os recursos deles estão seguros. A promessa de cobrir o prejuízo e a data de retomada dos saques são declarações da empresa, e a origem do ataque segue sem confirmação.



