sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

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S&P rebaixa perspectiva da Meta e Anthropic pode ter nota BB, abaixo do grau de investimento

A S&P manteve a nota AA- da Meta, mas passou a perspectiva de estável para negativa, enquanto a Blackstone prevê para a Anthropic uma nota BB, na faixa especulativa, após uma eventual abertura de capital.

Corredor de servidores em um data center usado para treinar modelos de inteligência artificial
Meta e Anthropic investem bilhões em infraestrutura de IA, e agências de crédito já avaliam o risco dessa conta. Foto: Pexels

A agência S&P Global Ratings mudou de estável para negativa a perspectiva de crédito da Meta, segundo reportagem do Olhar Digital publicada nesta sexta-feira (30). A nota da empresa continua em AA-, mas a agência citou incertezas sobre o volume de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e o fluxo de caixa livre negativo da companhia.

No mesmo dia, o veículo relata que a Anthropic, dona dos modelos Claude, pode receber uma classificação na faixa BB depois de uma eventual abertura de capital. A previsão é atribuída à Blackstone em reportagem do Financial Times. Os dois casos têm em comum a dúvida sobre se os gastos bilionários em IA vão gerar receita suficiente para cobri-los.

Meta: AA- mantida, mas com perspectiva negativa

A perspectiva negativa indica que a S&P vê risco maior de rebaixamento da nota nos próximos períodos. A agência espera que o crescimento dos investimentos de capital comece a perder força a partir de 2028. Segundo a reportagem, ela demonstrou menos confiança de que a Meta reduza os gastos no ritmo previsto antes.

O financiamento da empresa também está sob pressão. Na segunda-feira (26), a Meta anunciou a intenção de levantar US$ 95 bilhões (cerca de R$ 522,5 bilhões) para bancar suas iniciativas de IA. A primeira etapa prevê US$ 35 bilhões (cerca de R$ 192,5 bilhões) em ofertas públicas de ações subscritas por bancos. Depois, a companhia pretende captar outros US$ 60 bilhões (cerca de R$ 330 bilhões) em um programa de venda de ações no mercado.

Os investidores reagiram mal. Mesmo com receita acima das expectativas no balanço trimestral, as ações da Meta caíram 7% depois da divulgação. Outubro terminou com queda de 15% nos papéis, o pior mês da empresa em quatro anos, de acordo com o Olhar Digital.

Anthropic: nota BB ainda é previsão, não rating oficial

A estimativa atribuída à Blackstone é menos favorável do que a anterior, que apontava que a Anthropic poderia alcançar o grau de investimento antes de 2027. Na escala de crédito, notas abaixo de BBB- são consideradas especulativas, o chamado junk no mercado. O texto ressalta que a previsão não é uma nota oficial já atribuída à empresa e que ela não está inadimplente.

O ponto é que a classificação influencia o preço do dinheiro. Empresas na categoria especulativa costumam pagar mais para captar recursos, porque credores enxergam maior risco de calote. Para a Anthropic, que precisa ampliar a capacidade de computação para desenvolver e operar seus modelos, uma nota BB poderia encarecer e dificultar o financiamento da expansão.

Quem paga a conta da corrida por infraestrutura

Na Meta, a conta recai primeiro sobre os acionistas: a captação de US$ 95 bilhões em ações dilui a participação de quem já tem papéis, e a queda de 15% em outubro mostra que o mercado já precifica esse custo. Na Anthropic, a eventual nota BB afetaria o custo de dívida justamente quando a empresa mais precisa de capital para computação.

Para o Brasil, o efeito é indireto, mas real: o ritmo de investimento dessas empresas em data centers e chips depende de crédito e de apetite dos investidores. Se agências e bancos passarem a cobrar mais para financiar a IA, os planos de expansão podem desacelerar, e com eles parte da oferta de serviços de nuvem e de modelos usados por empresas brasileiras. As informações aqui citadas vêm de uma única reportagem, que atribui os dados à S&P, à Blackstone e ao Financial Times.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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