sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

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Sites poderão barrar treino de IA com uma só instrução, mas Microsoft só adota em fevereiro de 2027

OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic anunciaram na sexta-feira (30) um comando padronizado para sites vetarem o uso de seu conteúdo em modelos futuros. A Microsoft fala em 1º de fevereiro de 2027, o Google em algum momento do mesmo ano.

Corredor de servidores em um data center usado para treinar modelos de inteligência artificial
Treinamento de modelos de IA depende de grandes volumes de texto coletados na internet, o que motiva a disputa com veículos de imprensa. Foto: Pexels

OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic anunciaram na sexta-feira (30) uma iniciativa para que veículos de comunicação e outros sites possam proibir o uso de seus conteúdos no treinamento de modelos de inteligência artificial com uma única instrução. A informação é da Exame, com base em material da AFP. A proteção, porém, vale só para o treinamento futuro e depende de cada empresa aderir.

O que muda para quem publica na internet

Hoje, quem administra um site precisa configurar comandos de bloqueio diferentes para cada robô de cada empresa de IA. O novo protocolo prevê um comando padronizado, reconhecido pelas companhias que aderirem. A Exame não informa o nome técnico do padrão e o descreve apenas como instrução padronizada.

Segundo a Microsoft, o uso de conteúdo para treinamento continuará permitido por padrão. Para impedi-lo, o responsável pelo site terá de manifestar a decisão e ativar o bloqueio. Quem não fizer nada segue autorizando a coleta.

Microsoft e Google afirmaram que vetar o treinamento não afetará a presença do site em seus mecanismos de busca. A ideia é separar a autorização para treinar modelos das atividades de busca, de modo que o editor não precise escolher entre sair da IA e sumir do resultado de pesquisa.

Quem adota e quando

O calendário varia. A Microsoft pretende implementar o protocolo em 1º de fevereiro de 2027. O Google prevê a adoção em algum momento de 2027, sem data definida. A OpenAI disse que adotará a solução nos próximos meses, e a Anthropic afirmou que já começou a implementar a medida.

A diferença de prazos importa para quem tem conteúdo exposto: até que cada empresa ative o reconhecimento do comando, a instrução única não tem efeito sobre ela. A proteção também depende da adesão das companhias, já que não há obrigação legal descrita na matéria.

O que o bloqueio não resolve

A iniciativa não muda o uso de conteúdos em treinamentos anteriores. Modelos que já foram treinados com reportagens e textos de sites seguem como estão. O protocolo também não impede todas as formas de rastreamento dos sites e não representa uma proibição geral de acesso.

Tampouco resolve, por si só, as disputas judiciais em andamento. A Exame cita o processo do jornal The New York Times contra empresas de IA como exemplo do conflito, sem detalhar o caso. Veículos de imprensa questionam a coleta de seus materiais para treinamento sem autorização, e o anúncio das quatro empresas chega em meio a esse embate.

Para portais de notícias, blogs e lojas virtuais brasileiras, a consequência prática é uma decisão de configuração: como o padrão é permitir, o bloqueio só existirá se o responsável pelo site o ativar, e só passará a valer empresa por empresa, conforme cada uma implementar o protocolo ao longo de 2027.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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