OpenAI, Google, Microsoft e Anthropic anunciaram na sexta-feira (30) uma iniciativa para que veículos de comunicação e outros sites possam proibir o uso de seus conteúdos no treinamento de modelos de inteligência artificial com uma única instrução. A informação é da Exame, com base em material da AFP. A proteção, porém, vale só para o treinamento futuro e depende de cada empresa aderir.
O que muda para quem publica na internet
Hoje, quem administra um site precisa configurar comandos de bloqueio diferentes para cada robô de cada empresa de IA. O novo protocolo prevê um comando padronizado, reconhecido pelas companhias que aderirem. A Exame não informa o nome técnico do padrão e o descreve apenas como instrução padronizada.
Segundo a Microsoft, o uso de conteúdo para treinamento continuará permitido por padrão. Para impedi-lo, o responsável pelo site terá de manifestar a decisão e ativar o bloqueio. Quem não fizer nada segue autorizando a coleta.
Microsoft e Google afirmaram que vetar o treinamento não afetará a presença do site em seus mecanismos de busca. A ideia é separar a autorização para treinar modelos das atividades de busca, de modo que o editor não precise escolher entre sair da IA e sumir do resultado de pesquisa.
Quem adota e quando
O calendário varia. A Microsoft pretende implementar o protocolo em 1º de fevereiro de 2027. O Google prevê a adoção em algum momento de 2027, sem data definida. A OpenAI disse que adotará a solução nos próximos meses, e a Anthropic afirmou que já começou a implementar a medida.
A diferença de prazos importa para quem tem conteúdo exposto: até que cada empresa ative o reconhecimento do comando, a instrução única não tem efeito sobre ela. A proteção também depende da adesão das companhias, já que não há obrigação legal descrita na matéria.
O que o bloqueio não resolve
A iniciativa não muda o uso de conteúdos em treinamentos anteriores. Modelos que já foram treinados com reportagens e textos de sites seguem como estão. O protocolo também não impede todas as formas de rastreamento dos sites e não representa uma proibição geral de acesso.
Tampouco resolve, por si só, as disputas judiciais em andamento. A Exame cita o processo do jornal The New York Times contra empresas de IA como exemplo do conflito, sem detalhar o caso. Veículos de imprensa questionam a coleta de seus materiais para treinamento sem autorização, e o anúncio das quatro empresas chega em meio a esse embate.
Para portais de notícias, blogs e lojas virtuais brasileiras, a consequência prática é uma decisão de configuração: como o padrão é permitir, o bloqueio só existirá se o responsável pelo site o ativar, e só passará a valer empresa por empresa, conforme cada uma implementar o protocolo ao longo de 2027.



