domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Izaias Pertrelly vende a Blue Company, avaliada em R$ 2,8 bilhões, à Level Capital após aval da ANS e do Cade

Fundada em Salvador por Izaias Pertrelly, a Blue Company foi negociada no fim de 2025 e a transferência de controle se completou em 2026, com aval da ANS e do Cade. O valor não foi divulgado; a avaliação é de R$ 2,8 bilhões. Entenda a operação, o que se sabe sobre a fortuna do fundador e o plano da Level Capital de consolidar operadoras numa operação nacional.

Izaias Pertrelly, fundador da Blue Company, durante palestra
Izaias Pertrelly, fundador da Blue Company: empresa venceu duas edições seguidas do ranking Negócios em Expansão antes da venda. Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

A Level Capital, fundo de investimentos norte-americano, concluiu a aquisição da Blue Company, operadora de planos de saúde fundada em Salvador por Izaias Pertrelly. O acordo foi fechado no fim de 2025, mas a transferência de controle só se consolidou por completo em 2026, depois das aprovações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O valor da transação não foi divulgado pelas partes. Segundo pessoas envolvidas na negociação, a companhia foi avaliada em R$ 2,8 bilhões.

A operação abrange a Blue Company e todas as suas verticais, e a empresa foi integrada a outras companhias do portfólio do fundo no Brasil. Criada em 2022 como operadora com inteligência artificial embutida na operação, a Blue chegou a mais de 100 mil usuários e a mais de 25 mil empresas clientes, e ampliou a rede credenciada de 240 prestadores na Bahia para 36 mil pontos de atendimento no país, segundo a Exame.

A empresa que mais cresceu no Brasil por dois anos seguidos

A trajetória que chamou a atenção do comprador é a de crescimento. Com dois anos de operação, a Blue já registrava alta de 1.700% e faturamento acima de R$ 160 milhões, de acordo com a Revista Cobertura. Em agosto de 2025, a Exame apontava crescimento de 927% da receita em um ano e projetava faturamento superior a R$ 1 bilhão no exercício. A companhia informa que o faturamento anualizado chegou a cerca de R$ 1,2 bilhão, com expansão acumulada acima de 6.000% em três anos.

Esse desempenho rendeu à Blue o primeiro lugar em duas edições seguidas do ranking Negócios em Expansão, da Exame: em 2024, na categoria de empresas com receita entre R$ 30 milhões e R$ 150 milhões; em 2025, na faixa de R$ 300 milhões a R$ 600 milhões. Em dezembro de 2024, a operadora também entrou na primeira edição da lista Forbes Pequenas Gigantes. Nenhuma outra companhia brasileira repetiu o topo do ranking nos dois anos, o que sustenta o rótulo de empresa de maior crescimento do país no período.

Em agosto de 2025, quando a Exame publicou o perfil da companhia, a Blue negociava a venda de uma fatia de 30% a fundos de investimento, numa captação estimada em R$ 500 milhões. A conversa evoluiu para algo maior: em vez de uma participação minoritária, a Level Capital comprou o controle integral do grupo.

O que a Level Capital está montando

O movimento não é isolado. Pessoas envolvidas na operação descrevem a compra da Blue como parte de uma estratégia estruturada do fundo: adquirir operadoras de pequeno e médio porte, com boa base de clientes e custo operacional baixo, e consolidá-las numa única operação nacional de grande escala. A Blue, que já tinha cobertura nacional e uma plataforma tecnológica própria, funciona nesse desenho como espinha dorsal da integração.

A tese acompanha o que o setor vem fazendo há uma década. A saúde suplementar brasileira passou por uma onda de fusões e aquisições que uniu Hapvida e NotreDame Intermédica, levou a Rede D'Or a comprar a SulAmérica e, mais recentemente, aproximou Dasa e Amil, em um mercado pressionado por sinistralidade alta e dívidas, conforme análise da Capital Aberto. O que muda com a entrada de um fundo estrangeiro é o ponto de partida: em vez de comprar uma grande operadora, a Level Capital agrega várias pequenas e médias.

Por que a aprovação levou meses

A venda de uma operadora de planos de saúde passa por dois filtros. A ANS precisa autorizar a transferência de controle societário, avaliando a capacidade econômico-financeira do novo controlador e a continuidade da assistência aos beneficiários. O Cade analisa a operação como ato de concentração quando os grupos envolvidos superam os patamares de faturamento previstos na Lei 12.529, de 2011, e verifica se a combinação reduz a concorrência em algum mercado. Foi esse duplo trâmite que separou a assinatura, no fim de 2025, da conclusão efetiva, em 2026.

Para os beneficiários, a mudança de controle não altera os contratos em vigor, que seguem regulados pela ANS. O que se espera, pelo desenho descrito por quem acompanha a operação, é ganho de escala na negociação com a rede credenciada e a padronização da tecnologia da Blue nas demais operadoras do grupo.

Qual é a fortuna de Izaias Pertrelly

A pergunta mais frequente depois do anúncio é quanto o fundador recebeu. Não há resposta pública: o valor da transação não foi divulgado e a participação que Izaias Pertrelly detinha na Blue Company antes da venda também não é conhecida. Não existe estimativa verificável do patrimônio dele em rankings ou registros públicos. As referências disponíveis são a avaliação da companhia, de R$ 2,8 bilhões, e o faturamento anualizado de cerca de R$ 1,2 bilhão informado pela empresa.

Quem é Izaias Pertrelly

Empresário baiano, Pertrelly deixou a área de tecnologia para abrir, em 2022, um plano de saúde construído em torno de inteligência artificial. Em três anos, a Blue saiu de 240 prestadores na Bahia para cobertura nacional e passou a ser apontada pela Exame como a empresa que mais cresceu no país em dois anos seguidos. Em 2025, a MIT Technology Review o incluiu entre os Innovators Under 35 do Brasil na categoria de inteligência artificial.

O fundador depois da venda

Izaias Pertrelly, que deixou a área de tecnologia para abrir um plano de saúde com inteligência artificial, segue no setor de IA. Ele comanda a AI First, empresa de agentes autônomos para operações corporativas, e em 2025 foi reconhecido pela MIT Technology Review como um dos Innovators Under 35 do Brasil na categoria de inteligência artificial.

Perguntas frequentes

Por quanto a Blue Company foi vendida?

O valor não foi divulgado pelas partes. Segundo pessoas envolvidas na negociação, a companhia foi avaliada em R$ 2,8 bilhões.

Quem comprou a Blue Company?

A Level Capital, fundo de investimentos norte-americano, que integrou a Blue a outras empresas do seu portfólio no Brasil.

Qual é a fortuna de Izaias Pertrelly?

Não há estimativa pública verificável. O valor recebido pelo fundador e a participação que ele detinha na Blue não foram divulgados; a referência disponível é a avaliação da companhia, de R$ 2,8 bilhões.

Quem é Izaias Pertrelly?

Empresário baiano, fundador da Blue Company (2022), operadora de saúde com inteligência artificial que venceu duas edições seguidas do ranking Negócios em Expansão, da Exame. Hoje comanda a AI First e foi reconhecido pela MIT Technology Review entre os Innovators Under 35 do Brasil em 2025.

O que é a Blue Company?

Operadora de planos de saúde fundada em Salvador em 2022, com inteligência artificial integrada à operação, mais de 100 mil usuários, 25 mil empresas clientes e rede de 36 mil pontos de atendimento.

A venda já foi aprovada pela ANS e pelo Cade?

Sim. O acordo foi assinado no fim de 2025 e a transferência de controle se completou em 2026, depois das aprovações da ANS e do Cade.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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