domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Wadih Damous: IA não pode negar sozinha procedimento de plano de saúde

O presidente da ANS rejeitou, em entrevista à CNN Brasil no Arvo Summit, que um procedimento seja negado só por algoritmo. A agência ainda estuda regras para o uso de IA.

Wadih Damous
Wadih Damous, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A inteligência artificial pode entrar na saúde suplementar, mas não deve substituir pessoas em decisões que afetem o paciente, como autorizar ou negar um procedimento. A avaliação é do diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Wadih Nemer Damous Filho, em entrevista à CNN Brasil durante o Arvo Summit, em São Paulo.

Perguntado se, no futuro, um brasileiro poderia ter um procedimento negado só por uma ferramenta de IA, sem humano na decisão, Damous rejeitou a hipótese.

"Quem tem que governar o processo é o ser humano. A inteligência artificial é um instrumento. Ela não pode ser o contrário", afirmou.

Para o presidente da ANS, deixar a tecnologia no comando desse tipo de decisão seria inaceitável. Ele comparou o risco a cenários que, até pouco tempo, ficavam na ficção científica e citou o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço.

Regulação ainda em estudo

A agência ainda analisa como a inteligência artificial deve ser tratada na regulação da saúde suplementar. Segundo Damous, antes de fixar regras é preciso mapear potencialidades e riscos da tecnologia.

A linha descrita por ele é permitir usos que tragam benefício ao sistema e barrar aplicações capazes de prejudicar o consumidor e o beneficiário do plano.

"Precisamos conhecer com mais profundidade as potencialidades da inteligência artificial [...] e na regulação nós proporcionarmos a utilização no sentido benéfico e impedir que ela seja utilizada no outro sentido, no sentido inverso, no sentido de prejudicar as pessoas, prejudicar o consumidor, prejudicar os beneficiários de plano de saúde", disse à CNN.

Dado em prevenção

No Arvo Summit, Damous também cobrou que a ANS acelere a adaptação regulatória diante do avanço tecnológico. Ferramentas preditivas, na leitura dele, podem transformar informação em prevenção e assistência melhor.

"O uso da IA me interessa como regulador para transformar dado em prevenção e prevenção em vida preservada", afirmou na abertura do encontro, segundo a cobertura do evento.

A posição fecha um flanco sensível para as operadoras: a IA pode apoiar gestão e triagem, mas a negativa de cobertura continua sendo decisão humana sob a ótica do regulador.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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