domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Alcolumbre sinaliza impeachment cruzado de Moraes e Mendonça

Presidente do Senado fez circular entre parlamentares que, se a pressão por processo contra Alexandre de Moraes ficar insustentável, autorizará também o de André Mendonça.

Davi Alcolumbre
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre; sinalizou a colegas impeachment cruzado de Moraes e Mendonça se a pressão no Congresso avançar. Foto: Vice-Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez circular entre colegas no Congresso Nacional que, se a pressão para abrir processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se tornar insustentável, também autorizará processo contra outro ministro da Corte: André Mendonça. A sinalização de impeachment cruzado foi publicada pelo g1 (Ana Flor / GloboNews) e reforçada pela coluna de Mônica Bergamo na Folha.

Segundo a apuração, a proposta teve efeito de baixar a temperatura no Senado nos últimos dias. O argumento de Alcolumbre ganhou peso depois que Moraes, na noite de quinta-feira (3), pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça no âmbito do inquérito das fake news.

Senha política no despacho de Moraes

No despacho, Moraes citou indícios de crime de responsabilidade de Mendonça e registrou que o próprio Alcolumbre teria sido alvo de direcionamento investigativo. Esses pontos foram lidos no Congresso como senha para o presidente do Senado agir na Casa.

A Folha informa que senadores articulam pedido de impeachment de Mendonça com base nos relatórios usados por Moraes, sob o argumento de parcialidade e de investigação indevida de autoridades, entre elas o presidente do Senado. Interlocutores de Alcolumbre dizem que o ideal seria a possibilidade funcionar como arma de dissuasão, sem precisar ser disparada.

Fachin concentra os autos

Na sexta-feira (4), Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news, determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e Mendonça se manifestem em até cinco dias e transferiu os casos para a Presidência da Corte. Com isso, os dois procedimentos que envolvem Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos por Fachin.

Contexto da crise Master

A crise começou na terça (1), quando Mendonça retirou o sigilo de relatório da Polícia Federal sobre mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Moraes reagiu pedindo apuração contra o colega por improbidade, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Nenhum processo de impeachment foi aberto formalmente no Senado até agora.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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