A fabricante chinesa de memória Changxin Memory Technologies, a CXMT, registrou receita de 150,31 bilhões de yuans (US$ 22,4 bilhões) no primeiro semestre de 2026, alta de 873,64% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O balanço, divulgado nesta semana e citado pelo Valor Econômico e pelo South China Morning Post, mostra o tamanho do salto de preços no mercado global de chips de memória, turbinado pela corrida das empresas de inteligência artificial por capacidade de armazenamento.
O lucro líquido atribuído aos acionistas somou 77,61 bilhões de yuans no período, revertendo o prejuízo de 2,33 bilhões de yuans que a companhia havia registrado entre janeiro e junho de 2025, segundo o South China Morning Post. A companhia, sediada em Hefei, é a principal fabricante chinesa de memória DRAM, o tipo de chip usado para armazenamento temporário de dados em servidores, computadores e smartphones.
O resultado que passou a própria meta do IPO
Antes de abrir capital na bolsa de Xangai, no mês anterior à divulgação do balanço, a CXMT havia projetado receita entre 110 bilhões e 120 bilhões de yuans para o primeiro semestre, com lucro entre 50 bilhões e 57 bilhões de yuans. O resultado final ficou cerca de 25% acima da previsão de receita e 36% acima da previsão de lucro, segundo o South China Morning Post.
A diferença mostra que a escassez de memória se aprofundou mais rápido do que a própria empresa esperava quando fechou a oferta de ações, no auge da corrida por capital das fabricantes chinesas de semicondutores.
Por que a memória ficou mais cara
O South China Morning Post atribui o salto de receita à demanda disparada por produtos de memória vinda da indústria de inteligência artificial, que pressiona a oferta global de DRAM havia meses. Fabricantes de servidores e data centers vêm comprando memória em ritmo mais acelerado do que a capacidade instalada da indústria consegue repor, o que empurra os preços para cima em todo o mercado.
A CXMT também mudou o mix de produtos para aproveitar a alta. Os chips DDR5, de geração mais recente e maior valor agregado, passaram a responder por 46,3% da receita principal da empresa no período, ante 31,9% em 2025. A companhia informou ainda que está em fase de validação com clientes-chave para o LPDDR6, chip de memória de próxima geração voltado a dispositivos e servidores de maior desempenho.
Quem paga a conta da memória mais cara
O aperto de oferta que beneficia a CXMT tem efeito inverso para quem compra o chip. Fabricantes de servidores, provedores de nuvem e montadoras de computadores e celulares enfrentam custo maior de componente justamente no momento em que investem pesado em infraestrutura para inteligência artificial, custo que tende a ser repassado ao preço final de produtos eletrônicos e de serviços de computação em nuvem.
A escassez de memória é um fenômeno do setor, não só da CXMT: a oferta global de DRAM segue apertada, segundo o South China Morning Post, o que mantém os preços elevados no mercado inteiro. Para compradores como fabricantes de servidores e provedores de nuvem, a alternativa costuma ser reduzir estoque de segurança ou renegociar contratos de fornecimento até que a capacidade de produção global se equilibre com a demanda de inteligência artificial.



