quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

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Brasil fecha com Huawei e iFlytek cooperação de R$ 1,27 bilhão para criar modelos de linguagem em português

Executado pela RNP no Rio de Janeiro, o programa de cinco anos deve entrar em operação em julho de 2027 e formar 3 mil especialistas. O acordo chega em meio à disputa tarifária com Washington.

Microchip em close com cores de mapa de calor
A aposta é que um LLM treinado em português brasileiro reduza a dependência de modelos estrangeiros em serviços públicos. Foto: Pexels

Entre as medidas anunciadas pelo governo federal na semana passada dentro do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, a que mais chama a atenção do mercado é a cooperação tecnológica com a China: R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos para desenvolver modelos de linguagem de grande porte (LLMs) em português, com Huawei e iFlytek como parceiras.

A execução ficará com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), no Rio de Janeiro. O cronograma prevê início de operação em julho de 2027 e a capacitação de 3 mil brasileiros ao longo do programa. É a primeira vez que o governo coloca recursos dessa ordem no treinamento de modelos de fundação — e não apenas em infraestrutura de processamento.

Por que um modelo em português

Os grandes modelos disponíveis hoje são treinados majoritariamente em inglês, com o português como língua secundária. Para o setor público, isso significa desempenho pior em tarefas como leitura de processos, atendimento ao cidadão e análise de legislação. O Serpro, que já anunciou um LLM soberano para o segundo semestre de 2026, aposta na mesma tese: dados sensíveis do Estado não deveriam circular por modelos hospedados fora do país.

O timing geopolítico

O acordo é assinado no momento em que Brasília negocia com Washington a retirada das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos em julho — uma reunião entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante comercial americano Jamieson Greer está marcada para segunda-feira (31). Entre as justificativas listadas pelo governo Trump para o tarifaço estão temas como propriedade intelectual e o Pix. A escolha de parceiros chineses para a camada mais estratégica da IA nacional tende a entrar nessa conversa.

A pergunta não é se o Brasil vai ter um modelo em português. É quem vai controlar os pesos, os dados de treino e a infraestrutura onde ele roda.

O que observar

Três pontos definirão se o programa entrega o que promete: a governança dos dados de treinamento (quais bases públicas serão usadas e sob que regras), a propriedade intelectual dos modelos resultantes (se os pesos serão abertos, como no caso do RISC-V, ou fechados) e a integração com o supercomputador de 7.200 petaflops anunciado para o Rio Grande do Norte, cuja operação está prevista para o fim de 2027 — cinco meses depois do início do programa com a China.

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Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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