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Nuvem Brasileira: governo aposta em Serpro, Dataprev e BNDES para reduzir dependência de provedores estrangeiros

Programa anunciado em 20 de agosto parte da experiência da Nuvem de Governo; Serpro prepara modelo de linguagem soberano para o segundo semestre e já apresentou a primeira ferramenta de IA para compras públicas.

Circuito digital futurista em close
A Nuvem de Governo, operada por Serpro e Dataprev, é o ponto de partida da nova infraestrutura nacional. Foto: Pexels

O presidente Lula anunciou, em 20 de agosto, o programa Nuvem Brasileira, iniciativa que busca reduzir a dependência de provedores estrangeiros na hospedagem de dados do setor público. O anúncio veio ao lado da apresentação do supercomputador do Rio Grande do Norte e mira um problema concreto: hoje, quase todo dado sensível do Estado brasileiro que roda em nuvem passa, em algum ponto, por infraestrutura de empresas americanas.

O programa foi desenhado como parceria entre os setores público e privado, coordenada pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), com participação da ABDI, do Serpro e do BNDES. O ponto de partida é a Nuvem de Governo, já operada por Serpro e Dataprev, que atende órgãos federais e concentra a experiência de hospedar sistemas críticos como os da Receita Federal e da Previdência.

Serpro acelera a camada de IA

No SECOP 2026, realizado em Brasília nos dias 5 e 6 de agosto, o Serpro apresentou sua plataforma de IA generativa para a administração pública. A estatal afirmou que, no segundo semestre, a plataforma vai incorporar o Serpro LLM, modelo de linguagem soberano desenvolvido internamente. No mesmo evento, o Serpro lançou com o MGI a primeira ferramenta de IA voltada para compras públicas e uma solução que integra WhatsApp, chatbots e atendimento humano para órgãos de governo.

O argumento da estatal resume o dilema de todo gestor público: como adotar IA sem expor dados de cidadãos a modelos hospedados fora do país. A resposta proposta é manter processamento, armazenamento e o próprio modelo dentro de infraestrutura nacional.

A conta da energia

A infraestrutura, porém, esbarra em um pré-requisito que nenhuma estatal controla sozinha. No mesmo SECOP, o presidente da Telebras, Hermando Albuquerque, disse que o país vai precisar de cerca de 400 gigawatts de energia instalada para sustentar a corrida da IA, quase o dobro da capacidade atual.

A Telebras opera uma rede óptica de 32 mil quilômetros, mas menos de 20% dos municípios remotos do Amazonas têm conectividade adequada. Segundo Albuquerque, o desafio é de escala, e cabe ao país decidir agora onde essa infraestrutura vai ficar.

Financiamento e cronograma seguem sem definição

O anúncio não detalhou o modelo de financiamento do BNDES, os critérios para participação de provedores privados nem o cronograma de migração dos sistemas federais. Outras iniciativas de soberania digital no país já esbarraram nesse mesmo ponto: diagnóstico pronto, orçamento ainda por vincular.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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