quarta-feira, 16 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Cármen Lúcia diz em BH que poder descontrolado é arbitrário e oposto da democracia

Um dia após a sessão do STF, a ministra afirmou em evento do Conaci em Belo Horizonte que poder sem controle é arbítrio e lamentou a descrença nas instituições.

Cármen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal
Cármen Lúcia defendeu o controle do poder em evento de controle interno em Belo Horizonte. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

A ministra Cármen Lúcia afirmou nesta quarta-feira (16) que poder descontrolado é poder arbitrário e o oposto do Estado Democrático de Direito. A fala foi feita por videoconferência na abertura do XXII Encontro Nacional de Controle Interno, em Belo Horizonte, organizado pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci).

"Poder descontrolado é poder arbitrário, e isso é o oposto do Estado Democrático de Direito, que está insculpido no artigo 1º da Constituição brasileira", disse. A ministra associou a democracia à fiscalização rigorosa dos atos públicos e lembrou a ditadura militar como período de atuação do poder sem limite.

Cármen Lúcia lamentou o momento de descrença e desânimo com a administração pública. "A democracia vive da confiança que o cidadão e a cidadã têm nas suas instituições. Erros são dos seres humanos, são dos nossos limites, mas a busca do acerto é uma imposição, é um dever que todos nós servidores temos", afirmou, segundo a CNN Brasil e o Estadão.

A ministra também disse desconfiar de governantes e administradores que rejeitam o controle interno. Para ela, o controle não serve para punir, e sim para permitir disciplina administrativa eficiente e coerente com o que a sociedade exige. A prestação de bom serviço, acrescentou, não é favor: é obrigação do agente público.

A declaração veio um dia após a sessão extraordinária do STF sobre a eventual investigação de Alexandre de Moraes e o Banco Master. Na terça (15), Cármen Lúcia votou pela separação dos casos de Moraes e André Mendonça, pediu desculpas ao povo brasileiro e falou em profunda consternação. Nesta quarta ela não citou diretamente a crise da Corte.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.