terça-feira, 27 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Dona da Incesa investe R$ 160 milhões em fábrica de cabos e mira data centers e distribuidoras

O grupo, que faturou R$ 1,7 bilhão em 2025, ampliou em 40% a capacidade da fábrica de Olímpia (SP) e prepara uma segunda unidade de R$ 160 milhões para 2027.

Bobinas de cabos elétricos em uma fábrica
O Grupo Condumax Incesa fabrica fios, cabos e componentes elétricos em Olímpia, no interior de São Paulo. Foto: Pexels / SINOSTEEL STAINLESS STEEL PIPE

O Grupo Condumax Incesa inaugurou nesta terça-feira (27) a ampliação de sua fábrica em Olímpia, no interior de São Paulo, e confirmou uma segunda unidade na cidade, com investimento de R$ 160 milhões e obras previstas para 2027, de acordo com a Exame. A fabricante de fios, cabos e componentes elétricos faturou R$ 1,7 bilhão em 2025 e tem Enel, Neoenergia, CPFL, Copel e EDP entre os clientes.

A expansão já entregue eleva a capacidade anual de fios e cabos de 25 mil para cerca de 35 mil toneladas, alta de 40%. A área construída ganhou cerca de 30 mil metros quadrados e chega a aproximadamente 55 mil. A obra abriu 50 postos de trabalho.

Onde a capacidade cresce mais

O reforço não é uniforme. Segundo a Exame, a capacidade para produtos de distribuição de energia dobra, enquanto no segmento automotivo o aumento previsto é de cerca de 30%. As concessionárias de energia respondem por 40% do faturamento, o equivalente a cerca de R$ 680 milhões em 2025.

A nova fábrica terá foco em cabos de média tensão e capacidade de até 700 toneladas por mês de cabos de alumínio isolados. O projeto inclui uma linha de catenária com cerca de 30 metros de altura e 200 metros de comprimento, que a empresa afirma ser a mais longa e produtiva do país. Uma linha de média tensão voltada também a data centers está prevista para 2027.

A aposta em data centers e eletrificação

O CEO Marcos Matias, que assumiu em abril de 2026 depois de mais de 30 anos no setor elétrico, incluindo a presidência da Schneider Electric no Brasil, disse à Exame que data centers e eletrificação da mobilidade são as áreas de maior crescimento para o grupo. Ele não divulgou projeções de faturamento para 2026 e 2027.

A demanda das distribuidoras também sustenta o plano. A Exame cita dados da Abradee segundo os quais as concessionárias devem investir cerca de R$ 260 bilhões até 2030 em modernização, digitalização e resiliência das redes.

Exportação e o peso do custo Brasil

A empresa exporta para dez países, principalmente produtos de conexão da marca Incesa, e considera Estados Unidos e outros mercados da América Latina como destinos. O grupo avalia aquisições e a instalação de unidades fora do Brasil. Matias afirmou que o custo Brasil, com logística e carga tributária pesadas, existe e não pode ser ignorado na disputa por mercados externos.

O grupo foi fundado em 1964, em Olímpia, por Benito Benatti e Alvaro Brito, e começou com terminais de bateria. Benatti também idealizou o parque aquático Termas dos Laranjais, e a família fundadora segue na governança. Para o mercado de energia, a obra indica que parte da cadeia de fornecedores nacionais está se preparando para os investimentos em redes e em data centers previstos para os próximos anos.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.